Suspeito de aliciar menor de 11 anos é preso; polícia não descarta outras vítimas
Preso no Ceará, suspeito é investigado por aliciar criança de 11 anos e pode ter feito mais de 50 vítimas em redes sociais.
A prisão de um homem de 36 anos, suspeito de criar perfis falsos para aliciar crianças e adolescentes nas redes sociais, expôs um possível esquema de exploração sexual virtual com alcance nacional. O investigado foi detido neste sábado (14), em Crateús (CE), após uma apuração que apontou a possibilidade de mais de 50 vítimas em diferentes estados.
A investigação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso, com apoio da Polícia Civil do Ceará, aponta que o suspeito utilizava identidades falsas para se aproximar de menores de idade, ganhar confiança e, posteriormente, exigir material íntimo sob ameaça. A investigação é comandada pela Delegacia de Alto Araguaia (MT).
O caso começou a ser desvendado em abril de 2025, quando uma criança de 11 anos, moradora de Alto Araguaia, publicou acidentalmente uma imagem íntima no Instagram. Diante do ocorrido, e do forte abalo psicológico e situações de bullying no ambiente escolar, a avó da vítima passou a investigar a origem da situação.
Ao acessar as conversas do neto, ela identificou trocas de mensagens com o suspeito e procurou imediatamente a delegacia para denunciar o caso. Segundo o delegado responsável, Marcos Paulo Batista de Oliveira, o trabalho exigiu rapidez para evitar a perda de provas digitais e identificar o padrão de atuação.
“O caso exigia atuação técnica e contínua, porque crimes praticados na internet envolvem risco real de exclusão de provas, multiplicação de perfis e repetição da conduta em curto espaço de tempo”, afirmou.

Modus operandi
De acordo com a investigação, o homem apresentava comportamento padrão com o objetivo de se aproximar das vítimas. Ele usava linguagem juvenil e múltiplos perfis falsos para conquistar a confiança das crianças e avançar gradualmente nos pedidos e exigências mediante a ameaças.
Após estabelecer vínculo, o suspeito prometia pagamentos em troca de fotos e vídeos íntimos. Em seguida, segundo a polícia, passava a ameaçar e chantagear os menores para obter mais material.
“A conduta revela exploração da ingenuidade, do medo e da vergonha das vítimas, além do ambiente de aparente segurança das redes sociais”, disse o delegado.
Operação e provas
No dia 27 de janeiro, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência do investigado, em Crateús. Celulares foram recolhidos e a análise do material revelou dezenas de possíveis vítimas espalhadas pelo país.
Com o avanço das provas, a Justiça da Primeira Vara Cível e Criminal de Alto Araguaia autorizou a prisão preventiva, cumprida neste sábado pela polícia cearense. Ele será indiciado por guardar conteúdo de pornografia infantil, oferecer ou divulgar esse tipo de material pela internet e induzir criança a se exibir de forma sexualmente explícita. Somadas as penas o homem pode ser condenado de cinco a 13 anos de prisão, além de multa.
A Delegacia de Alto Araguaia deve continuar investigando o caso para tentar identificar possíveis novas vítimas, além de outras provas que possam complementar as informações já levantadas.
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