Suspeito de matar advogada deveria estar internado em hospital psiquiátrico

Decisão foi cumprida em junho, mas a direção do hospital não aceitou Almir para internação

Almir Monteiro dos Reis, de 49 anos, suspeito de matar a advogada Cristiane Fonseca Castrillon, de 48 anos, em Cuiabá, deveria estar internado no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, segundo determinação da Justiça, dada em abril deste ano.

A decisão foi cumprida em junho, mas a direção do hospital não aceitou Almir para internação por insuficiência de vagas.

Almir Monteiro dos Reis principal acusado de feminicídio. (Foto: Reprodução)
Almir Monteiro dos Reis principal acusado do feminicídio. (Foto: Reprodução)

Na decisão, o juiz Leonardo Campos Pitaluga afirma que o diretor do hospital, Paulo Henrique Almeida, e a assessora jurídica, Carine Miranda, se recusaram a internar o ex-policial devido a falta de vaga na unidade e, por isso, alterou a decisão.

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A medida de segurança foi transferida para ambulatorial pelo prazo de três meses. Nesse período, Almir deveria cumprir várias medidas, como não consumir bebida alcoólica, não portar qualquer tipo de arma, não frequentar bares e similares e não sair de Cuiabá.

No entanto, ele conheceu a vítima em um bar.

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Segundo Marluce Souza e Silva, doutora em Ciências Humanas e Sociais, o Estado foi omisso.

“Se não tinha uma vaga no Adauto Botelho, a própria instituição deveria ter feito a transferência. O Estado tem que ser cumpridor das leis, assim como nós”, disse ela.

Entenda o caso

A vítima foi encontrada morta dentro de um carro no Parque das Águas, em Cuiabá, no final da tarde desse domingo (13).

As investigações iniciaram por volta das 15h, após equipe da DHPP ser acionada para realizar a liberação do corpo da vítima, que foi levado pelo irmão, dando entrada na unidade hospitalar por volta das 14h25, já sem vida.

Segundo as investigações, Cristiane passou a tarde de sábado em um churrasco com a família e amigos e por volta das 22h foi com o seu carro até um bar nas proximidades da Arena Pantanal.

No local, a vítima conheceu um homem com quem teria deixado o bar por volta das 23h30.

Advogada foi vítima de feminicídio. (Foto: Reprodução)
Advogada foi vítima de feminicídio. (Foto: Reprodução)

Após o fato, os familiares não conseguiram mais contato com a vítima, que também não dormiu em casa. Preocupados com o paradeiro, o irmão dela acessou um aplicativo que indicou que o celular estaria no Parque das Águas.

No local, o corpo da vítima foi encontrado dentro do seu veículo Jeep, já sem vida, sendo encaminhada ao hospital pelo irmão. 

Com base nas informações, os policiais da DHPP deram início às diligências, chegando até o último local em que a vítima esteve antes da morte, em uma residência no bairro Santa Amália.

Por meio de imagens de câmeras de segurança foi possível ver o veículo da vítima saindo do endereço, na parte da manhã, com o suspeito na direção.

Quem é o suspeito

Almir Monteiro – preso pela morte – é ex-policial militar e ingressou na corporação em 13 de novembro de 2000. Contudo, em 21 de março de 2013 foi instaurado processo administrativo para sua demissão por roubo. 

Foto advogada morta
Corpo foi encontrado em carro no Parque das Águas (Foto: montagem)

A expulsão de Almir foi publicada no Boletim Geral Eletrônico n.º 1211, em 19 de março de 2015, que concordou com o relatório conclusivo do Conselho de Disciplina, que decidiu pela demissão do ex-policial.

No mesmo ano, a defesa de Almir apresentou um mandado de segurança contra a sua demissão. Na época, ele alegou que é portador de esquizofrenia, razão pela qual teria sido interditado judicialmente. Contudo, ele não conseguiu regressar à corporação.

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