Testemunhas dizem que servidor morto pela PM não estava com arma na mão, afirma delegado

Investigação da DHPP aponta que Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, abriu a porta segurando um celular e uma chave quando foi baleado durante ação policial em Cuiabá.

O delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Bruno Abreu, afirmou que o servidor do Liceu Cuiabano, Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, não estava com arma na mão no momento em que foi baleado durante uma ação da Polícia Militar no bairro Goiabeiras, em Cuiabá.

Servidor identificado como Valdivino Almeida Fidelis, foi morto durante confronto com a PM em Cuiabá. - Foto: Redes Sociais
Valdivino Almeida Fidelis foi morto durante confronto com a PM em Cuiabá. – Foto: Reprodução

Segundo o delegado, os depoimentos da enteada da vítima e da filha dela indicam que Valdivino abriu a porta da casa segurando um celular em uma das mãos e a chave na outra, enquanto liberava a saída da jovem do imóvel. A arma, conforme o relato das testemunhas, estaria guardada na cintura, por dentro da camisa.

“A arma dele tava na cintura por dentro da camisa. Já tinha uns 10 segundos que ele tinha colocado. Uma mão ele tava com o celular e na outra mão a chave abrindo a porta”, afirmou o delegado durante entrevista. Veja abaixo:

De acordo com Bruno Abreu, a enteada contou que Valdivino não sabia que havia policiais no local. Ela relatou que o servidor estava emocionalmente alterado e teria ameaçado matar a jovem caso a polícia fosse acionada, motivo pelo qual ela enviava mensagens para amigas e vizinhos pedindo que ninguém chamasse os militares.

Servidor foi filmado segurando arma momentos antes de ser morto em confronto. – Vídeo: Reprodução

Ainda segundo a investigação, no momento em que abriu a porta, Valdivino teria se assustado ao se deparar com os policiais. O delegado afirmou que os próprios militares relataram surpresa diante da situação. “Foi um susto para ele e um susto até para a Polícia Militar”, disse.

Vítima filmou servidor a intimidando antes de ser morto pela polícia. – Vídeo: Reprodução

Sem negociação

O delegado também revelou que, até o momento, os depoimentos indicam que não houve negociação antes do disparo. Segundo ele, a própria vítima não sabia da presença policial na residência.

Bruno Abreu ponderou, porém, que ainda é cedo para apontar responsabilidades e destacou que os policiais podem ter interpretado a situação como uma ameaça iminente. “Pode ser que os policiais tenham achado que o que estava na mão dele era a arma. Ou poderiam entender que ele fecharia a porta e mataria a enteada”, afirmou.

Apesar disso, o delegado destacou que a versão apresentada pelas testemunhas diverge da narrativa inicial de que Valdivino teria apontado uma arma durante a abordagem.

O caso segue sendo investigado pela DHPP.

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