Trecho de Santo Antônio de Leverger é o mais letal da BR-364 em MT
Trecho mais letal da rodovia fica em Santo Antônio de Leverger, município que acumulou 100 mortes na BR-364 entre 2017 e 2025
O km 349 da BR-364, em Santo Antônio de Leverger (MT), é o trecho com mais mortes registradas em um único quilômetro da rodovia no estado. Foram 20 vítimas fatais em 98 acidentes entre 2017 e 2025, número mais de duas vezes superior ao do segundo colocado do levantamento realizado pelo Crime Brasil.
O município onde está o ponto crítico também ocupa o topo do ranking estadual: Santo Antônio de Leverger concentrou 100 das 611 mortes registradas na BR-364 em Mato Grosso no período, além de somar 912 acidentes.

Entre 2017 e 2025, foram contabilizados 6.675 acidentes com coordenadas e 611 mortes na BR-364, que corta 28 municípios de Mato Grosso. O relatório aponta a via como a rodovia federal com mais acidentes no estado.
Os dados fazem parte de levantamento do Crime Brasil, produzido a partir de registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF), além de informações do DATASUS/SIM e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Km 349 mais letal
O levantamento quilômetro a quilômetro mostra uma diferença expressiva entre o primeiro e o segundo ponto mais letal. No km 349, foram 20 mortes em 98 acidentes. Já o km 350, também em Santo Antônio de Leverger e localizado na mesma descida, registrou sete mortes em 44 ocorrências.
Nos dois pontos, a velocidade incompatível aparece como a causa mais registrada. O km 349 está em um trecho de curva com declive, combinação associada a uma letalidade maior ao longo da rodovia.
Considerando toda a BR-364, foram registrados 164 acidentes em pontos nos quais curva e declive aparecem juntos. Essas ocorrências deixaram 33 mortos, o equivalente a 20,1 mortes a cada 100 acidentes.
A taxa é praticamente o dobro da encontrada nos trechos de reta, onde foram contabilizadas 10 mortes para cada 100 acidentes.
Os dois últimos chamam atenção pela gravidade das ocorrências. Em Campos de Júlio, seis pessoas morreram em somente dois acidentes, com ingestão de álcool pelo condutor indicada como causa mais registrada. Já no km 517, em Rosário Oeste, foram seis mortes em quatro ocorrências.
Na sequência aparecem trechos de Cuiabá, Várzea Grande, Jangada, Rosário Oeste e Pedra Preta, todos com quatro mortes registradas por quilômetro.
Santo Antônio de Leverger concentra 100 mortes
O destaque de Santo Antônio de Leverger permanece mesmo quando o tamanho da população é considerado. Com 16.795 habitantes na base utilizada pelo levantamento, a cidade registra uma média anual de 66,2 mortes na BR-364 para cada 100 mil habitantes, a maior taxa entre os municípios cortados pela rodovia.
Jangada aparece em seguida, com 56,7 mortes por 100 mil habitantes ao ano, e Pedra Preta, com 31,4.
Apesar de a quantidade de acidentes ter diminuído ao longo da série histórica, as mortes não apresentaram a mesma tendência. Em 2017, a BR-364 registrou 1.140 acidentes e 65 mortes em Mato Grosso. Em 2025, foram 750 acidentes e 60 vítimas fatais. Enquanto o número de ocorrências caiu 34%, as mortes oscilaram entre 54 e 77 por ano.
O ano mais letal proporcionalmente foi 2019, quando foram registradas 77 mortes em 651 acidentes, chegando a 11,8 vítimas fatais para cada 100 ocorrências.
Colisão frontal deixou 179 mortos
A falta de atenção à condução foi a causa que apareceu com maior frequência nos registros da PRF, com 1.344 acidentes e 82 mortes. Outras condutas, apesar de menos frequentes, tiveram índices muito maiores de letalidade.
A ultrapassagem indevida resultou em 58 mortes em 194 acidentes. Já trafegar na contramão esteve relacionado a 42 mortes em apenas 87 ocorrências.
Entre os tipos de acidente, a colisão frontal foi a mais letal, com 179 mortes em 363 registros, média de 49,3 vítimas fatais para cada 100 acidentes desse tipo.
A série começa em 2017, primeiro ano em que a PRF passou a disponibilizar latitude e longitude nos dados utilizados pelo levantamento, e termina em 31 de dezembro de 2025. Os registros de 2026 ainda não estavam disponíveis na base analisada.
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