Trio é preso por vender carta de crédito que nunca existiu

As investigações continuam para identificar outros envolvidos, já a informação é de que a empresa tenha pelo menos oito “vendedores”

Um esquema “luxuoso” de estelionato – propostas tentadoras de dinheiro rápido e fácil e aluguel de salas para impressionar as vítimas – foi desarticulado pela Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) nessa quarta-feira, dia 31 de agosto, em Campo Grande. Três pessoas foram presas, entre elas o líder do grupo.

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Líder do grupo deixa a delegacia nesta manhã (Foto: Osvaldo Nóbrega)

A ação que terminou com a prisão dos suspeitos, dois homens e uma mulher, contou com a participação do Procon/MS (Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor) e revelou detalhes de como o grupo aplicava o golpe do “falso consórcio” em Mato Grosso do Sul.

Conforme o delegado Reginaldo Salomão, o golpe começava com a seleção de veículos e imóveis a venda na internet. Os anúncios selecionados eram replicados pelos suspeitos nas suas páginas pessoais nas redes sociais e anexado no “Marketplace do Facebook”. Quem se interessava pela oferta, era direcionado para conversar com o “vendedor” no WhatsApp.

“Eles então convidavam as pessoas para irem ao escritório”. O escritório, na verdade, eram salas alugadas em prédios comerciais da cidade, sempre decoradas de forma luxuosa para impressionar as vítimas. “Já no escritório, avisavam que aqueles bens já haviam sido vendidos, mas que possuíam outros carros e imóveis para serem vendidos, que isso poderia ser feito através da aquisição de uma carta de crédito já contemplada”.

A carta de crédito, no entanto, não existia. As vítimas eram convencidas a darem um “sinal” com urgência para garantir o valor completo. Os estacionários prometiam que o dinheiro seria entregue em três dias e pediam ainda que nesse tempo as pessoas procurassem o veículo ou imóvel que gostariam de comprar com o consórcio.

Enquanto a vítima estava distraída na busca pelo melhor carro ou imóvel, os criminosos habitavam novos telefones, com prefixo 11 e 21, e alegavam que os clientes precisavam negociar com a matriz da empresa. Com isso, ganhavam tempo, pegavam o dinheiro do “sinal” e em um mês, quando já tinham enganado várias pessoas, mudavam de endereço.

Durante as investigações, a delegacia especializada conseguiu o endereço em que o grupo estava atuando e na noite dessa quarta-feira, as equipes policiais bateram à porta de uma sala de edifício localizado na rua 15 de Novembro. Lá os três suspeitos foram presos, entre eles o líder do esquema, um homem de 29 anos e a irmã dele.

Enquanto a polícia estava no local, pelo menos seis casais chegaram para “fechar negócio” com o grupo de estelionatários. “Isso nunca existiu, essas empresas não têm autorização do Banco Central, nem dos órgãos de controle para funcionar”.

Segundo o delegado, as investigações continuam para identificar outros envolvidos, já a informação é de que a empresa tenha pelo menos oito “vendedores”. O líder do grupo, o homem de 29 anos, já foi alvo da polícia outras vezes, pelo mesmo crime.

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Mais golpe

Outras duas vítimas procuraram a delegacia especializada para relatar golpes bem parecidos com o aplicado pelo trio preso. Mas, diferente do primeiro, elas realmente adquiriram um consórcio.

Nesse caso o golpista vendia um consórcio normal, que é pago mediante sorteio, mas mentiam falando que aquela carta de crédito já estava contemplada. A pessoa então comprava acreditando que receberia o valor cheio em poucos dias, mas isso não acontecia. O esquema também é investigado pela Polícia Civil.

“A orientação é que procurem empresas idôneas, que antes de fecharem o negócio procurem a defensoria público, o Procon, entre no Reclame Aqui, entre na página do banco central e verifique se aquela empresa está autorizada a atuar no ramo de financiamento, de consórcio. Não façam negócio nesse tipo de armadilha”, afirmou o delegado.

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