VÍDEO: advogado preso diz que abriu janela do carro para vomitar quando atropelou idosa

Paulo Roberto Gomes dos Santos está preso pelo atropelamento e morte de Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, de 71 anos, na Avenida da FEB, em Várzea Grande.

O advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, preso pelo atropelamento e morte da idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, de 71 anos, na Avenida da FEB, em Várzea Grande, nessa terça-feira (20), afirmou em depoimento à polícia que estava passando mal e abriu a janela para vomitar no momento do acidente (veja o vídeo abaixo).

Advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos sendo interrogado pelo delegado Christian Cabral. – Vídeo: Reprodução

“Estava desde cedo com cabeça péssima, dor de cabeça difícil e aí deu uma vontade de vomitar. A uns 200 metros, eu abri a janela do carro e aí vomitei e aí eu vi que passou um vulto”, alegou.

Ainda em depoimento ao delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), Paulo Roberto negou que tenha atropelado a idosa. Ele alegou que a vítima teria colidido contra o carro dele.

“O corpo dela que acertou meu carro, do lado. Ela bateu no meu carro, do lado do motorista”, afirmou.

INTERROGATÓRIO Trechos do depoimento na delegacia

Motorista nega atropelamento ao ser questionado por delegado

Delegado

“Boa tarde. Informe, por favor, seu nome completo e CPF.”

Paulo Roberto

“Meu nome é Paulo Roberto Gomes dos Santos.”

Delegado

“O senhor tem o direito de permanecer em silêncio. A confissão espontânea pode gerar diminuição de pena em caso de eventual condenação. Está ciente?”

Paulo Roberto

“Posso falar?”

Delegado

“Por volta de 9h50, o senhor conduzia uma Fiat Toro branca e, próximo à [concessionária de carros], teria atropelado uma senhora idosa que atravessava a via. O fato ocorreu?”

Paulo Roberto

“Não.”

Paulo Roberto

“O corpo dela que acertou o meu carro do lado.”

Paulo Roberto

“Eu vinha no sentido Cuiabá a Várzea Grande. Estava desde cedo com cabeça péssima, dor de cabeça difícil e aí deu uma vontade de vomitar. A uns 200 metros, eu abri a janela do carro e aí vomitei e aí eu vi que passou um vulto.”

Arte: Primeira Página

No entanto, a versão de Paulo Roberto é contestada pelas imagens analisadas pela Polícia Civil. Câmeras de segurança mostram o momento em que a idosa é atingida pelo carro do advogado em alta velocidade. Com a força do impacto, ela foi arremessada por cima do canteiro central e acabou sendo atingida por um segundo veículo, que trafegava no sentido contrário. A vítima morreu ainda no local.

Câmeras de monitoramento registraram o atropelamento. – Vídeo: Reprodução

As investigações apontam que ele tinha visibilidade da via e condições de manobra, mas não freou nem tentou desviar antes de atingir a Ilmis.

Após o impacto, Paulo Roberto continuou dirigindo por cerca de três quilômetros, mas foi seguido por um policial militar da reserva, que viu o acidente, e foi atrás dele para impedir a fuga.

Além do homicídio doloso, o motorista também deve ser responsabilizado por fugir do local do acidente e não prestar socorro. Por causa da soma desses crimes, ele não pode pagar fiança e continua preso. Ele irá passar pela audiência de custódia nesta quarta-feira (21).

Ao Primeira Página, a defesa de Paulo Roberto disse apenas que ele está extremamente desolado com o acidente. “Foi um acidente, dificilmente uma pessoa sai na rua e pensa: ‘hoje vou atropelar uma senhora de idade’. Foi um lamentável acidente”.

Ilmis Dalmis Mendes da Conceição morreu após ser atropelada duas vezes na avenida da FEB, em Várzea Grande. - Foto: Reprodução
Ilmis Dalmis Mendes da Conceição morreu após ser atropelada duas vezes na avenida da FEB, em Várzea Grande. – Foto: Reprodução

Passado de crimes

Paulo Roberto já respondeu por outros dois homicídios. Nos anos 1990, quando ainda atuava como policial civil no Rio de Janeiro, Paulo Roberto matou a tiros o delegado Eduardo da Rocha Coelho. Segundo a investigação da época, o delegado foi atingido com um tiro na nuca. Após o crime, Paulo fugiu do estado e passou a viver em Mato Grosso, onde utilizou por um longo período o nome falso Francisco de Ângelis Vaccani Lima.

Pelo assassinato do delegado, Paulo Roberto foi condenado em 2006 a 13 anos de prisão.

Além desse crime, Paulo Roberto também foi denunciado pelo Ministério Público, em 2004, pelo assassinato da estudante de Enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, em Juscimeira (MT). Conforme reportagens publicadas na época, a vítima mantinha um suposto relacionamento com o acusado.

De acordo com as investigações, Rosemeire foi asfixiada dentro de uma banheira, em um motel localizado entre Juscimeira e Jaciara. Em seguida, o corpo foi decapitado e jogado no Rio São Lourenço e no Rio das Mortes. A cabeça da vítima nunca foi localizada. Durante as investigações, ele chegou a pular do terceiro andar da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para fugir.

Paulo Roberto foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, além de ocultação de cadáver e falsificação de documento, já que utilizava identidade falsa no momento da prisão. Ele foi condenado a 19 anos de prisão pela morte de Rosemeire.

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