Vídeo: aluno do Exército foi carregado por colegas após passar mal em corrida
Edilsio foi levado para o hospital, mas morreu horas depois. A família aponta a exaustiva rotina no quartel como causa
Vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o momento em que Edilsio Morais da Silva Filho, de 18 anos, é carregado por colegas após passar mal durante um treinamento no curso para oficiais temporários do Exército Brasileiro em Aquidauana – cidade a 141 quilômetros de Campo Grande. O aluno morreu horas depois e para a família, a causa foi o treinamento puxado e sem descanso aplicado pelos militares.
As imagens foram enviadas pela própria família de Edilsio. O rapaz estava apenas no três dias de treinamento quando passou mal durante uma corrida de três quilômetros. Como mostra o vídeo, ele foi socorrido pelos colegas e carregado por dois deles até o alojamento médico. De lá, no entanto, precisou ser transferido para o Hospital Regional de Aquidauana.
Em entrevista, o comandante do 9º Batalhão de Engenharia de Combate, tenente-coronel Braulio, afirmou que o rapaz piorou mesmo depois de ser liberado da atividade. “Ele não passou mal durante a corrida, mas depois de liberado ele apresentou alguns sinais de que ele não estava bem. Após veio o atendimento do nosso médico e foi evacuado pela nossa ambulância para o HR de Aquidauana”, alegou.
Edilsio ficou poucas horas internado, morreu no início da noite de quarta-feira (16).
No atestado de obtido, a causa da morte mostra os danos do treinamento do organismo do rapaz: rabdmiolise, hepatite fulminante, arritmia cardíaca, desidratação. Em palavras simples, os órgãos do futuro militar pararam e os músculos sofreram uma degradação que liberou uma proteína prejudicial no sangue, substância que ataca diretamente os rins.
A versão da família

Para a família, o quadro de desidratação do rapaz de 18 anos, que saiu de casa dias antes feliz e saudável, foi a rotina exaustiva aplicada no treinamento.
Mensagens enviados pelo aluno a mãe mostram que ao longo do pouco tempo que ficou no quartel, foi exposto a exercícios físicos intensos, muita exposição ao sol e poucas horas de sono. Por dois dias seguidos, Edilsio foi punido e foi forçado a ficar acordado até a madrugada para produzir redações de 50 linhas.
Em outro vídeo, gravado pelo aluno, é possível ver a turma escrevendo no escuro, apenas com o auxílio das lanternas dos celulares.
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O que diz o Exército
Uma apuração interna é realizada pelo Comando Militar do Oeste. Neste sábado (19), a assessoria de comunicação da instituição afirmou que o vídeo do aluno sendo carregado fará parte do inquérito e que ainda não é possível confirmar que as imagens foram gravadas no quartel de Aquidauana. Detalhes do caso não foram divulgados, pois a apuração acontece em sigilo.
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