VÍDEO: novos deslizamentos são registrados após forte chuva em Poxoréu

Desbarrancamento reacende alerta em distrito de Poxoréu; ação conjunta prevê drenagem, fiscalização e realocação de famílias.

Fortes chuvas provocam novos deslizamentos na região do Distrito de Nova Poxoréu nesta terça-feira (17). Na Comunidade Vale Verde, moradores registraram o desbarrancamento de uma área próximo à nascente, após o aumento significativo do volume de água. A força da enxurrada intensificou os processos erosivos e voltou a acender o alerta.

De acordo com o secretário de Obras de Poxoréu, equipes da Defesa Civil estão fazendo acompanhamento constante da área para averiguar a situação e tentar conter o avanço da erosão causada pelo excesso de água.

deslizamentos Vale Verde
Imagem mostra o tamanho da erosão em Poxoréu. – Foto: Welinton Mendes/ Prefeitura de Poxoréu

Ele ressaltou ainda que as erosões e os deslizamentos são resultado de uma série de intervenções realizadas na região, que acabaram fragilizando o terreno e facilitando o desbarrancamento. As obras envolvem não apenas o município de Poxoréu, mas a Prefeitura de Primavera do Leste e o Governo Federal, já que parte das obras foi executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Ainda de acordo com o secretário, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) está ciente da situação e tem se posicionado junto aos órgãos responsáveis. A Defesa Civil segue monitorando a área, especialmente diante da previsão de continuidade das chuvas na região.

Vistoria anterior

Na visita anterior, a equipe realizou o levantamento preliminar dos danos e a avaliação do grau de risco para as residências próximas ao local. A análise incluiu imagens aéreas captadas por drone, identificação das casas na região e uma verificação inicial das condições de drenagem e do escoamento da água da chuva.

A procuradora municipal de Poxoréu, Dayse Crystina, destacou que o município já mobilizou diferentes secretarias para atuar de forma integrada.

Segundo ela, o objetivo é dar respostas rápidas às famílias afetadas e minimizar novos danos, principalmente em áreas mais vulneráveis.

Imagens mostram deslizamentos de terra em distrito de Poxoréu. – Vídeo: reprodução

Reunião de alinhamento

Durante uma reunião realizada na última sexta-feira (13), foi destacado que Primavera do Leste já possui projeto em andamento para captação e redirecionamento da água das chuvas que escorre desde a BR-070 até a região de Furnas. A proposta prevê a drenagem e o desvio do fluxo pluvial, o que deve reduzir em até 60% o volume de água que atualmente desce em direção à área afetada pela erosão.

Segundo o secretário de Governo de Primavera, Valfredo Rodrigues, o levantamento técnico ainda não foi totalmente concluído, mas a estimativa inicial aponta que o investimento ultrapassa os R$ 30 milhões, valor que deverá ser custeado pelo município de Primavera do Leste.

A medida é considerada fundamental para atacar a causa do problema, reduzindo a força da água que agrava a voçoroca.

Moradora faz registro de deslizamento de barranco em comunidade de Poxoréu. – Vídeo: reprodução

Retirada das famílias exige ação social e planejamento

Outro ponto central da reunião foi a retirada das famílias que vivem na área de risco. A medida envolve um processo mais amplo que vai além da desocupação imediata. A realocação exige planejamento, assistência social, definição de áreas adequadas, possível construção de novas moradias e acompanhamento contínuo das famílias.

A procuradoria reforçou que já existem determinações judiciais para retirada de algumas famílias, mas que é necessário estruturar o processo para garantir segurança jurídica e amparo social.

A coordenadora da Defesa Civil municipal, Cris Corrêa, destacou que, além da remoção, será necessária fiscalização rigorosa para evitar novas ocupações na área afetada. Segundo ela, também será preciso executar melhorias para reduzir e até eliminar o assoreamento da região, agravado por desmatamentos em áreas de preservação permanente (APP).

O coordenador estadual da Defesa Civil estadual, sargento Felisberto, explicou que cada município precisa formalizar seus decretos dentro de sua competência, permitindo o encaminhamento para reconhecimento federal — etapa necessária para a liberação de recursos. “O Estado não pode atropelar o município. A gente apoia tecnicamente e orienta para que o processo seja encaminhado corretamente”, disse.

Ainda segundo ele, além das moradias ameaçadas, há pontos da infraestrutura comprometidos. “Algumas partes de estradas e áreas próximas a pontes também foram afetadas. Já estamos trabalhando para buscar solução de engenharia, alguma obra que possa resolver o problema”, completou.

Ao final do encontro, ficou definida a formação de uma equipe integrada, composta pelas Defesas Civis e pelas secretarias de ambos os municípios, para acompanhar de forma permanente o andamento das ações. A proposta é que o grupo atue de maneira coordenada, com divisão clara de responsabilidades, cronograma técnico e acompanhamento contínuo, garantindo agilidade na retirada das famílias, avanço dos projetos estruturais e fiscalização da área.

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