Violência no campo: mulheres de MT entre as mais afetadas do país

65 mulheres foram vítimas de violência no campo no primeiro semestre de 2024; MT figura entre os estados com mais registros, ao lado de Pará e Maranhão

A violência contra mulheres no campo em Mato Grosso está entre as mais alarmantes do Brasil. É o que mostram os dados divulgados nesta segunda-feira (02), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

O levantamento parcial dos conflitos no campo no primeiro semestre de 2024 revelou que 65 mulheres foram vítimas de violência em disputas agrárias em todo o país, e Mato Grosso figura entre os estados com mais registros, atrás apenas de Pará e Maranhão.

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A violência contra mulheres no campo ainda enfrenta a subnotificação. (Foto: Ludmila Pereira/Agro é Fogo)

Embora o número total de homicídios e outras formas de violência extrema tenha diminuído em relação a anos anteriores, os conflitos pela posse da terra e pelo acesso à água continuam em níveis elevados. 

No caso de Mato Grosso, os conflitos são alimentados por disputas entre fazendeiros, grileiros e comunidades tradicionais.

A violência contra mulheres no campo tem características específicas. Intimidação, criminalização e ameaças de morte são as formas mais comuns de agressão, mas outras práticas, como abuso psicológico e condições de vulnerabilidade extrema, também impactam as vítimas. 

Entretanto, a CPT alerta para a subnotificação de casos de violência de gênero no campo, especialmente em regiões isoladas.

O estado, uma das potências do agronegócio, registra conflitos agravados pelo avanço das fronteiras agrícolas. Regiões como o Matopiba e a Amazônia Legal — que incluem áreas de Mato Grosso — enfrentam desmatamentos ilegais, incêndios criminosos e despejos forçados.

No primeiro semestre de 2024, a Amazônia Legal foi palco de casos de contaminação por agrotóxicos. A região concentra 7 dos 11 assassinatos em todo o país.

Dados do Brasil

Os dados nacionais apontam para 1.056 ocorrências de conflitos no campo em 2024, abrangendo disputas por terra, água e casos de trabalho escravo. Apesar da redução no número de assassinatos (6 casos no primeiro semestre), a violência estrutural contra comunidades indígenas, quilombolas e posseiros persiste.

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Levantamento mostra evolução da violência relacionada aos conflitos no campo. (Foto: CTP)

Durante todo ano, 11 assassinatos foram confirmados até o final de novembro. Destes, quase metade dos assassinatos foram cometidos por fazendeiros. 

Os fazendeiros seguem como os principais agentes de violência no campo, liderando 339 dos 872 conflitos por terra registrados. Em 85% dos casos de incêndios criminosos identificados neste semestre, os responsáveis foram fazendeiros ou grupos vinculados a grandes empreendimentos.

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