Hábito de ouvir áudios acelerados podem aumentar ansiedade
Especialistas afirmam que esta necessidade, com o passar do tempo, deixa a saúde mais debilitada
Acelerar os áudios em aplicativos de mensagens pode parecer uma boa ideia à primeira vista, mas especialistas alertam que essa sensação de ganho de tempo pode não ser tão benéfica assim. Isto porque, com o passar do tempo, pode aumentar a ansiedade.

Ohanna da Cruz Bezerra trabalha como caixa e faz parte do grupo dos que aceleram áudios. “Não tem como ouvir no normal. Tem que saber o que recebeu, o que está falando e se a pessoa fala devagar então, aumenta mais a velocidade”.
O agente de viagens Fábio Lacerda também não tem muita paciência para ouvir áudios na velocidade normal. “Eu coloco no mais rápido. Questão de praticidade. Mais rápido, prático também”, diz.
A dona de casa Silvana Maria Basílio é mais paciente. “Eu ouço normal. Não entendo acelerado”, mas também confessa que prefere áudios mais curtos.
Quem também prefere ouvir na velocidade “normal” é a gerente Kassya Damian. “Eu acho que a gente tem que prestar atenção no que as pessoas estão falando. Se você acelera, passa tão rápido que não consigo entender. Acaba que a gente fica tentando resolver as coisas antes do momento, do tempo”.
Especialistas alertam que a sensação de ganho de tempo pode fazer com que a ansiedade aumente, conforme explica o psicólogo Alberto Mesaque.
“Já acorda com a sensação que a gente está atrasado, que falta alguma coisa. Dorme com a sensação que a gente não deu conta de fazer tudo. Então, isso tudo vai interferir nos nossos comportamentos, inclusive essa vontade de ouvir os áudios mais acelerados com a sensação de que vão ter mais tempo para fazer as coisas que vão deixar a gente sem tempo e com a saúde cada vez mais debilitada”, pontua.
Segundo ele, com a vida cada vez mais acelerada essa cobrança por usar todo tempo possível para fazer o máximo de coisas não é nada saudável.
“A gente não dá conta quando a gente percebe que precisa descansar, parar, puxar o freio de mão e a gente é invadido por uma culpa imensa, uma cobrança social de que a gente não está dando conta, de que a gente não está respondendo e a gente precisa ser tão acelerado quanto as máquinas, os celulares que a gente vai comprar e quer que eles sejam quase que instantâneos”.
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade. Segundo estimativas da entidade, 9,3% dos brasileiros têm algum tipo de ansiedade e a depressão afeta quase 6% da população.
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