Quatro data centers de IA no Brasil podem gastar energia como o país inteiro num dia

Instalações gigantes previstas para quatro estados já miram expansão. Especialistas alertam para riscos ambientais e pedem mais transparência sobre o uso de água e energia.

O Brasil está prestes a entrar de vez na corrida da inteligência artificial. Quatro gigantescos complexos de data centers previstos para o Rio de Janeiro (RJ), Eldorado do Sul (RS), Maringá (PR) e Uberlândia (MG) devem consumir, juntos, a mesma energia que 16,4 milhões de casas em um único dia.

trend viral
Trend viral com ChatGPT. (Foto: Reprodução IA)

Esses centros vão abrigar supercomputadores usados para treinar modelos de linguagem como o ChatGPT, que exigem processamento pesado e sistemas potentes de refrigeração. A potência combinada dos projetos pode ultrapassar 7 mil megawatts e isso é só o começo.

Outros projetos já estão no radar, como um centro de dados em Caucaia (CE), que poderá atender a ByteDance, dona do TikTok. Mas como ele ainda não tem foco confirmado em IA, ficou de fora da estimativa principal.

O que é um data center de IA?

São centros onde ficam servidores e computadores de altíssimo desempenho, que treinam modelos de linguagem como o ChatGPT. São diferentes dos data centers tradicionais usados, por exemplo, por plataformas de streaming ou redes sociais porque trabalham com muito mais dados e exigem mais energia e refrigeração.

Por que isso importa?

Com a popularização de ferramentas como o ChatGPT, a demanda por data centers especializados explodiu. Diferente dos tradicionais (usados para armazenar dados e serviços em nuvem), os data centers de IA lidam com cargas de trabalho muito mais pesadas e com isso, consomem muito mais energia e água.

Para comparação:

  • Um data center convencional (20 MW) pode gastar o equivalente a 80 mil casas por dia.
  • Um de IA, como os que estão sendo anunciados, pode ultrapassar essa marca em dezenas ou até centenas de vezes.
inteligencia artificial
Investir em Data Centers tem sido um dos pretos mais lucrativos para empresas internacionais.(Foto: Freepik)

Conheça os projetos

Rio AI City – Rio de Janeiro (RJ)

A Elea Data Centers planeja quatro centros voltados para IA em Jacarepaguá, com potência inicial de 1.500 MW, podendo chegar a 3.200 MW. Isso significa um consumo equivalente a 6 milhões de casas por dia. O projeto também prevê prédios para centros de pesquisa e startups.

Em julho, o prefeito Eduardo Paes assinou um acordo para impulsionar o projeto e declarou que quer tornar o Rio a “capital da inteligência artificial brasileira”.

Scala AI City – Eldorado do Sul (RS)

Com apenas 40 mil habitantes, a cidade gaúcha vai sediar um dos maiores data centers do mundo. O projeto da Scala Data Centers prevê 1.800 MW, com expansão para 5.000 MW até 2033 energia suficiente para abastecer 7,2 milhões de casas diariamente.

Diferente de outros, o sistema de refrigeração da Scala promete ser fechado, usando óleo em vez de água o que reduz o impacto ambiental. A prefeitura criou um polo tecnológico com incentivos fiscais para atrair empresas do setor.

RT-One – Maringá (PR) e Uberlândia (MG)

Com dois projetos gêmeos, a RT-One quer erguer centros de 400 MW em cada cidade energia para 1,6 milhão de casas por dia, em cada local. Em Maringá, a prefeitura estuda criar uma área de livre comércio para facilitar a importação de equipamentos.

Já em Uberlândia, o projeto pode usar água do Aquífero Guarani para refrigeração. A empresa garante que o sistema será fechado, sem contaminação, mas especialistas pedem atenção redobrada com o uso desse recurso estratégico.

O impacto ambiental ainda é desconhecido

Apesar dos investimentos bilionários, os dados sobre o impacto desses projetos ainda são escassos. Pesquisadores alertam que falta transparência sobre o uso real de energia e, principalmente, de água.

Torneira pingando agua
A água está no centro do debate sobre data centers no Brasil.| Foto: Agência Brasil

Um estudo da Universidade da Califórnia revelou que treinar o modelo GPT-3 base do ChatGPT pode evaporar até 700 mil litros de água. Para o usuário comum, 50 perguntas à IA podem equivaler a meio litro.

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Comentários (1)

  • Brígida Silva

    Lógico que as tecnologias são bem vindas,mas tudo tem limites, porque no final o resultado é:a população classe média e baixa é que sentirão os impactos e custos ,se todos temos que economizar energia, então é para todos e não penalizar quem trabalha e ganha pouco

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