Queda histórica: número de telefones fixos em MS cai 57% em 10 anos
Somente entre maio e junho de 2025, a capital Campo Grande perdeu 8,8 mil linhas telefônicas fixas, indica dados da Anatel
Em uma década, Mato Grosso do Sul viu despencar o número de linhas telefônicas fixas ativas em um reflexo direto da utilização massiva dos smartphones, do acesso à internet móvel e de novas formas de comunicação digital. Dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) revelam que os telefones fixos residenciais caminham para um fim iminente: em 10 anos, MS perdeu 57% dos acessos de telefonia fixa.

Conforme o levantamento da Anatel, entre junho de 2015 e junho de 2025, o estado teve uma queda de 57,5% das linhas fixas residenciais, caindo de 478 mil para 203 mil linhas.
A densidade, número de linhas para cada 100 habitantes, também sofreu forte redução. Há dez anos, eram 18,2 linhas por 100 moradores; hoje, são apenas 7.
O movimento acompanha uma tendência nacional, impulsionada pelo avanço dos aplicativos de mensagens instantâneas, videoconferências e serviços de voz pela internet, que tornaram o telefone fixo cada vez mais obsoleto.
Fim da linha?
O ritmo da redução é cada vez mais rápido. Em apenas um mês, de maio para junho de 2025, Mato Grosso do Sul perdeu 9 mil linhas fixas, um recuo de 4,2%. Em comparação ao mesmo mês do ano anterior, a queda chega a 20,9%.
Campo Grande também acompanha essa tendência. Em junho de 2015, eram 267,3 mil acessos de telefonia fixa. Dez anos depois, restam 129,9 mil, uma diminuição de 51,4%.
Apenas no último mês, a Capital perdeu 6,3% das linhas, passando de 138,6 mil em maio para 129,8 mil em junho de 2025. Em relação a junho de 2024, quando havia 157,9 mil linhas, a queda foi de 17,8%.
Após 20 anos, o aposentado José Alves, de 63 anos, decidiu cancelar a linha telefônica fixa em casa. Ele confessa que por muitos anos foi resistente e até revela que cativava ‘apego’ pelo telefone fixo, mas que com os aplicativos de mensagem e redes sociais, não houve saída.
“Há uns anos atrás chegamos a ligar para cancelar, mas o atendente falou ‘mas é uma linha tão antiga, vai mesmo?’, aí desisti e mantive. Mas a gente viu que só recebia ligações desnecessárias, de telemarketing, então esse mês foi o fim da linha”, brinca.
Fixo ainda resiste
Apesar do cenário atual, alguns municípios mantêm um índice elevado de linhas fixas. Douradina e a cidade de MS que lidera o ranking estadual de densidade de telefones fixos, com 24,4 linhas para cada 100 habitantes. Campo Grande aparece em segundo lugar, com 13,3, seguida por Dourados (12,7), Paranaíba (9,3) e Três Lagoas (6,4).
Ranking de empresas com mais acessos à telefonia fixa em MS – Junho/2015
- Oi: 284.944 linhas
- Vivo: 101.977 linhas
- Claro: 82.315 linhas
- Algar: 7.993 linhas
Ranking de empresas com mais acessos à telefonia fixa em MS – Junho/2025
- Oi: 99.754 linhas
- Claro: 47.115 linhas
- Vivo: 41.724 linhas
- Algar: 3.731 linhas
De patrimônio a item de decoração
Pode até parecer brincadeira, mas na década de 70 e 80, ter um telefone fixo em casa era um sinal de status social, um verdadeiro luxo. Uma linha telefônica chegava a custar US$ 5 mil e tinha fila de espera na operadora de 2 a 5 anos.
Na época, haviam negociações que envolviam terrenos, bens e até aluguel de linhas fixas, que era considerado um investimento e gerava renda. As linhas telefônicas eram inclusive, declaradas no Imposto de Renda como um patrimônio.

Até os anos 1990, a telefonia no Brasil era controlada pelo Estado por meio da Telebrás. Com a Lei Geral de Telecomunicações, em 1998 o governo dividiu e leiloou as empresas do sistema, arrecadando mais de R$ 22 bilhões. A privatização acelerou a expansão da telefonia fixa, popularizou os celulares e transformou a comunicação no país.
Com a chegada dos smartphones e as comunicações digitais na palma da mão, os telefones fixos se tornaram obsoleto para uso diário e alguns modelos se tornaram item de decoração.
Hoje é comum encontrar em sites de venda ou desapegos modelos considerados ‘vintage’ ou ‘retrôs’.
“Este telefone fixo clássico vermelho é construído com base de metal e materiais ABS, com botões grandes de injeção dupla, o que o torna bem operado nos ambientes mais exigentes e continua funcionando por muito tempo na escola, casa, escritório e popular dos anos 1980”, diz o anúncio de telefone.
O cenário indica que o telefone fixo pode se tornar, em breve, apenas um item de nostalgia, lembrado mais pelas gerações que cresceram ouvindo o toque característico do aparelho do que pela sua real utilidade no dia a dia.

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