Novatos no trânsito: nova CNH simplifica processo e reduz custos para candidatos
Em MS, por exemplo, a baliza deixou de ser obrigatória e prova passou a ter mais tolerância aos erros
A emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) entrou em um novo momento no Brasil: desde o início de 2026, mudanças na legislação transformaram o processo de obtenção da carteira de motorista, tornando-o mais simples, digital e, principalmente, mais barato para o bolso dos moradores. Em Mato Grosso do Sul, os candidatos já começam a aproveitar as facilidades e mencionam as praticidades na obtenção da carteira.

É importante relembrar que as alterações impactam desde a obrigatoriedade de autoescola até a carga horária de aulas práticas, além de ampliar o uso da versão digital do documento.
CNH com processo mais simples e digital
A estudante Ana Carolina Pereira, 20 anos, está tirando a CNH dentro das novas regras e afirma que a experiência é mais prática. Ao Primeira Página, ela disse que tem se surpreendido com a flexibilidade e valor acessível do processo.
“Assim que a lei foi aprovada, tudo o que eu precisei foi baixar o aplicativo e fazer o cadastro. Já liberou meu acesso aos módulos teóricos EaD, com quatro blocos de no máximo 20 a 25 minutos cada, além de avaliação no final.”

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Segundo Ana, a diferença em relação ao modelo anterior é clara. A irmã, que fez o processo tradicional, assistia a aulas mais longas, de até uma hora e meia, além de utilizar material impresso de apoio. “Acredito que essa foi uma das principais mudanças.”
Ana avalia que os módulos curtos ajudam na memorização dos conteúdos mais cobrados, mas não substituem totalmente o aprofundamento.
“Para mim, 20 minutos não foram suficientes. Precisei usar o material complementar para me sentir preparada para qualquer questão.”
Aulas práticas: liberdade e debate sobre segurança
A redução da carga obrigatória para apenas duas horas práticas é um dos pontos mais discutidos.
Para Ana, apesar do receio inicial, o novo formato pode ter vantagens. “Você pode aprender com outras pessoas e instrutores contratados, com menos pressão e mais liberdade, até usando veículos do dia a dia.”
Ela pretende contratar um instrutor autônomo para a maior parte das aulas e fazer quatro aulas em autoescola apenas para entender melhor as formalidades da prova prática.

Instrutor autônomo: nova oportunidade no mercado
Com o fim da obrigatoriedade exclusiva dos Centros de Formação de Condutores (CFCs), instrutores passaram a poder atuar de forma independente. Alisson Martins, instrutor de trânsito autônomo, afirma que o novo modelo ampliou oportunidades.
“Abriu mais opções. Posso captar meus próprios alunos, continuar trabalhando em autoescola ou atuar nas duas modalidades.”
Segundo ele, a rotina como autônomo é mais intensa. “Tenho que captar alunos, fazer orçamento, organizar agenda e parte financeira. Na autoescola, o foco é só dar aula.”
Recentemente, Alisson foi um dos entrevistados no podcast ‘Na Língua do PP’ e também tirou muitas dúvidas sobre o processo.
Burocracia e adaptação
Alisson explica que o modelo ainda está em fase de adaptação nos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans). Apesar disso, afirma que a formação é equivalente à da autoescola, desde que o candidato escolha um profissional qualificado.
Ele faz um alerta importante: embora não seja obrigatório em todos os casos, o ideal é que o veículo tenha duplo comando.
“Dar aula sem carro adaptado com duplo comando é inseguro. O candidato precisa verificar se o instrutor tem as ferramentas corretas para garantir segurança.”

Acesso mais barato, mas ainda exige planejamento
Para Ana, o processo ficou mais acessível financeiramente, mas ainda demanda organização. “É mais barato, mas nem todo mundo consegue pagar R$ 650 de uma vez para exames e taxas.”
A possibilidade de usar apenas a CNH digital também reduz custos com impressão e emissão do documento físico.
Segurança no trânsito: avanço ou risco?
Apesar das críticas quanto à redução das aulas práticas, Ana acredita que o formato pode formar bons condutores. “Os materiais teóricos são bem explicativos, com exemplos do cotidiano. Tanto o modelo antigo quanto esse podem formar condutores responsáveis.”
Já para o instrutor Alisson, o essencial vai além da carga horária. “O indispensável é construir consciência, responsabilidade e controle emocional, além da técnica.”

O que muda na CNH 2026
Entre os principais pontos da nova regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), destacam-se:
- Fim da obrigatoriedade de autoescola (CFC): o candidato pode optar por instrutores autônomos credenciados.
- Redução das aulas práticas: a exigência caiu de 20 para apenas 2 horas obrigatórias.
- Aulas teóricas 100% online: conteúdo gratuito em módulos digitais.
- CNH digital como padrão: a versão física passou a ser opcional.
- Renovação automática para bom condutor: motoristas sem infrações graves podem renovar gratuitamente.
- Redução de custos: em algumas regiões, pacotes completos partem de R$ 380, com economia que pode chegar a 70%.
- Em MS, por exemplo, a baliza deixou de ser obrigatória e prova passou a ter mais tolerância aos erros.
A digitalização também ampliou serviços via aplicativo oficial da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), permitindo inscrição, acompanhamento do processo e emissão do documento diretamente pelo celular.
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