Consórcio rebate relatório e diz que intervenção no transporte seria "precipitada"
Consórcio se manifestou sobre sugestão de intervenção e afirmou que a crise no transporte é resultado da "asfixia financeira" enfrentada pela concessionária nos últimos anos
O Consórcio Guaicurus classificou como “precipitada” a recomendação de intervenção do município na concessão da empresa responsável pela operação do transporte público de Campo Grande. Em nota, a empresa rebateu alguns dos principais pontos levantados no relatório produzido pela Comissão Especial criada para apurar possíveis irregularidades no contrato. Nesta terça-feira (9), a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou que a decisão sobre uma eventual intervenção no Consórcio Guaicurus será tomada até a próxima sexta-feira (12).

Segundo o Consórcio, a crise no transporte é resultado da “asfixia financeira” enfrentada pela concessionária nos últimos anos. A empresa afirma que esse cenário é agravado pela ausência de subsídios para custear as gratuidades garantidas por lei.
“Uma intervenção neste momento seria uma medida precipitada e contraproducente. O próprio relatório da comissão reconhece que o mecanismo tem caráter fiscalizatório, e não de punição ou encerramento do contrato. O que o sistema precisa não é de uma medida política, mas sim do cumprimento das cláusulas de reequilíbrio financeiro. Isso inclui a realização imediata do estudo econômico-financeiro do 14º ano da concessão, uma obrigação contratual que já havia sido negligenciada pelo Poder Concedente em 2019, no 7º ano do contrato.”
Diretoria do Consórcio Guaicurus.
Pontos sobre a intervenção
Sobre as autuações citadas no relatório da comissão, o Consórcio argumenta que elas são pouco expressivas diante do alto índice de eficiência operacional do sistema. A empresa também afirma que o envelhecimento da frota e as interdições de veículos são consequências do déficit tarifário e do desequilíbrio financeiro do contrato, fatores que dificultam investimentos e a renovação dos ônibus.
Leia mais
O Consórcio garante ainda que o seguro está em vigor e que questões regulatórias e multas estão sendo discutidas nas instâncias competentes. Em relação à paralisação ocorrida em dezembro de 2025, sustenta que ela foi resultado da crise financeira enfrentada pelo setor, e não de negligência, destacando que o serviço continuou sendo prestado à população.
Confira a nota do Consórcio Guaicurus na íntegra.
CAMPO GRANDE, MS – 9 de junho de 2026 – Diante do relatório conclusivo da comissão especial da Prefeitura de Campo Grande, divulgado nesta segunda-feira (08), o Consórcio Guaicurus vem a público esclarecer os fatos técnicos que envolvem a operação do transporte coletivo urbano e apresentar sua posição de forma transparente à sociedade. O Consórcio recebe as conclusões do relatório com serenidade, mas ressalta que os indicadores apontados pela comissão — tais como o volume de autuações, a idade média da frota e as dificuldades operacionais — não são a causa da crise do sistema, mas sim o reflexo direto e inevitável de um severo sufocamento econômico-financeiro que a concessionária vem enfrentando nos últimos anos.
Contexto Técnico e a Origem dos Desafios: O transporte público de Campo Grande sofre com um descompasso estrutural crônico entre a tarifa técnica (o custo real do serviço) e a tarifa pública paga na catraca, agravado pela ausência de subsídios integrais para o custeio de gratuidades garantidas por lei.
Volume de Operação vs. Autuações: O Consórcio esclarece que o número bruto de autuações apontado no relatório deve ser analisado de forma proporcional à gigantesca escala do serviço prestado. Quando comparado o total de notificações com o volume massivo de viagens realizadas no período de 2021 a 2025, o sistema apresenta um índice de eficiência de 99,99% no cumprimento de suas metas operacionais.
Defesa da Frota e Operação: Em relação ao aumento da idade média dos veículos e às interdições apontadas, o Consórcio esclarece que ambos são consequências diretas do sufocamento financeiro provocado pelo déficit tarifário. Sem a devida recomposição e o reequilíbrio econômico do contrato, torna-se inviável sustentar o ritmo de investimentos e a renovação da frota exigidos pelo contrato.
Seguros e Regularizações: O Consórcio esclarece que o seguro está ativo e todas as discussões regulatórias e judiciais sobre obrigações contratuais anteriores, incluindo a aplicação de multas, estão sendo tratadas nas esferas adequadas, onde a concessionária exerce seu direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório.
Continuidade do Serviço: A paralisação pontual registrada em dezembro de 2025 não foi um ato de negligência, mas uma demonstração extrema da asfixia financeira que o setor enfrenta em âmbito nacional. Mesmo sob tais condições severas, o consórcio manteve a prestação do serviço essencial à população.
“Uma intervenção neste momento seria uma medida precipitada e contraproducente. O próprio relatório da comissão reconhece que o mecanismo tem caráter fiscalizatório, e não de punição ou encerramento do contrato. O que o sistema precisa não é de uma medida política, mas sim do cumprimento das cláusulas de reequilíbrio financeiro. Isso inclui a realização imediata do estudo econômico-financeiro do 14º ano da concessão, uma obrigação contratual que já havia sido negligenciada pelo Poder Concedente em 2019, no 7º ano do contrato”, afirma a diretoria do Consórcio Guaicurus.
Proposta de Modernização e Solução Consensual: Como alternativa jurídica e administrativa mais segura para a cidade e para os passageiros, o Consórcio Guaicurus formalizou junto ao Município uma proposta de solução negociada e um plano de modernização abrangente. O objetivo é estruturar um Termo de Ajuste que viabilize a injeção de recursos necessários para a renovação imediata da frota, revisão das linhas e otimização dos tempos de viagem, sanando as falhas apontadas de forma célere e sem os riscos jurídicos e operacionais que uma intervenção traria para a estabilidade da cidade.
O Consórcio Guaicurus reitera sua total disposição para manter um diálogo transparente e construtivo com o Poder Concedente e as instâncias de controle, confiando que o bom senso técnico prevalecerá para garantir um transporte público sustentável, seguro e digno para os cidadãos de Campo Grande.
Recomendação da intervenção
A Comissão Especial criada para apurar possíveis irregularidades no contrato do transporte público de Campo Grande recomendou a intervenção do município na concessão operada pelo Consórcio Guaicurus no relatório, divulgado nesta segunda-feira (8). A medida consta no relatório final assinado pela procuradora-geral do município e presidente da comissão, Cecília Saad Cruz Rizkallah.
De acordo com o relatório, a iniciativa busca assegurar a continuidade, a regularidade, a segurança e a adequação da prestação do serviço público essencial de transporte coletivo na Capital. Entenda aqui.
Mais lidas - 1 Quais seleções ainda estão na Copa do Mundo? Veja chaveamento das semifinais
- 2 “O tempo me deu muito mais do que me tirou”, diz Pedro Bial na Flib
- 3 Motorista de 19 anos morre após bater de frente com caminhão na BR-262
- 4 Frente fria avança por MS e traz alerta de temporais neste domingo
- 5 Câmera registra homem pedindo socorro antes de morrer esfaqueado em Campo Grande
- 1 Quais seleções ainda estão na Copa do Mundo? Veja chaveamento das semifinais
- 2 “O tempo me deu muito mais do que me tirou”, diz Pedro Bial na Flib
- 3 Motorista de 19 anos morre após bater de frente com caminhão na BR-262
- 4 Frente fria avança por MS e traz alerta de temporais neste domingo
- 5 Câmera registra homem pedindo socorro antes de morrer esfaqueado em Campo Grande