Em dia de paralisação, corrida de R$ 11 sai a quase R$ 50 em Campo Grande
Motoristas em MS aderiram ao movimento nacional e, nesta segunda, serviço de viagens por aplicativo sofrerá reflexos de paralisação; categoria pede melhorias
Sair de casa pode ser uma tarefa difícil, nesta segunda-feira (15), para quem costuma depender de carros de aplicativo. Por melhorias para a categoria, motoristas de Campo Grande e do interior de Mato Grosso do Sul, que rodam pelas principais empresas de transporte do país, aderiram a um movimento nacional que prevê 24 horas de paralisação.

De acordo com o presidente da APPLIC-MS (Associação de Parceiros de Aplicativos de Transportes de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul), a manifestação não seguirá um modelo padrão, mas todos os trabalhadores devem aderir de alguma forma.
“O pessoal está fazendo a paralisação da maneira que acha conveniente, de uma forma que acredita que vai atingir as plataformas. Uns não saíram de casa, outros estão andando devagar e com o app desligado, outros estão parados pelas ruas. A ideia é que as plataformas sintam reflexos”, explicou Paulo Pinheiro, ao Primeira Página.
Nas primeiras horas do dia, a paralisação já afetava o preço das corridas. Um morador do bairro Coronel Antonino, que costuma pagar R$ 11 até o trabalho, na região do Jardim TV Morena, relata valor quase cinco vezes maior, por volta das 7 da manhã.
“Primeiro, apareceu um preço ‘mais barato’ de R$ 39. Eu atualizei e subiu para R$ 49.98”, afirmou o trabalhador, que não quer ser identificado.
Qual a explicação para o preço tão alto?
Para o presidente da APPLIC, valores mais altos podem ser uma estratégia das empresas para conquistar os motoristas e burlar a paralisação.
“Os aplicativos jogam valores tentadores para chamar atenção do motorista, jogam sujo nessa época, como se fosse corrida dinâmica”, afirmou Paulo. “A gente pede que a população não pague esses valores, que dê um jeitinho de ir de moto, que peguem o carro na garagem, peguem uma carona com o vizinho, não custa nada”.
Reivindicação
Entre as cobranças por parte dos motoristas, está a exigência para que os valores repassados as empresas diminuam.
“Não tem como passar de 25% a 40% para uma empresa que praticamente não tem gastos com o motorista. Tudo é por conta dele: internet, gastos com o carro, combustível, IPVA. Nossa ideia é voltar a falar sobre o que sempre pedimos, de 12% a, no máximo, 15%. Não pode ser além disso”, ressaltou Paulo.
A categoria também lembra que não há nenhum tipo de seguro para motoristas, nem para passageiros. Outro pedido é para que as empresas tenham SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) funcionando, ou algum outro canal de comunicação. “Em Campo Grande está tudo fechado, o 0800 não funciona, ou seja, está uma bagunça”.
A reportagem entrou em contato com as principais empresas de corridas de aplicativo do país, Uber e 99, e aguarda retorno sobre a paralisação, o impacto do protesto em Mato Grosso do Sul e possíveis acordos com os motoristas.
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