Com investimento de R$ 2 bilhões, autoridades de Mato Grosso do Sul e do Governo Federal lançaram, nesta sexta-feira (6), a pedra fundamental da ferrovia que servirá de apoio para a nova fábrica de celulose em construção na cidade de Inocência.
Malha ferroviária já existente que será ligada à nova linha de Inocência (Foto: Marcus Vinnicius)
Atualmente, cerca de 9 mil pessoas trabalham na construção do empreendimento, podendo chegar a 14 mil trabalhadores no segundo semestre deste ano. A mega fábrica chegou a 44% da conclusão e a previsão é que a estrutura fique pronta no final de 2027.
A ferrovia
Capaz de transportar 11 mil toneladas por dia da produção de celulose e ao custo de R$ 2 bilhões, a estrada de ferro terá 45 quilômetros de extensão e vai margear a MS-377, ligando-se à malha ferroviária já existente sob domínio do estado paulista. Dessa forma, 190 caminhões deixarão de percorrer as rodovias do estado todos os dias, desafogando o tráfego intenso nas estradas de Mato Grosso do Sul.
A construção da ferrovia, segundo o ministro dos transportes Renan Filho, é um novo modelo adotado pelo Governo Federal.
“Uma ferrovia você tem a grosso modo falando três maneiras de construir: o governo constrói com recursos próprios eminentemente; ou a gente consegue a concessão a uma operadora privada; ou a gente faz esse outro novo modelo, que é uma autorização, autoriza uma empresa a ligar a sua carga até a malha existente”, disse.
A malha ferroviária passa por Mato Grosso do Sul e atravessa o estado de São Paulo até chegar ao porto de Santos. De lá, a carga segue em navios para mercados globais, principalmente a Ásia.
Autoridades durante evento nesta sexta-feira (Foto: Caio Tumelero)
Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil, empresa responsável pela obra, o projeto tem um nível de complexidade além do que era esperado. Além disso, os desafios são grandes.
“Brasil tem tudo: tem terra, tem chuva, tem sol, mas fica longe do Porto. 1050 quilômetros. No Chile você está colado no mar, bem poucos quilômetros. É fundamental para o Brasil desenvolver a infraestrutura, desenvolver a logística, para que seja muito mais competitivo”, afirmou.
Ainda durante o evento, o governo assinou o contrato de concessão da rota da celulose com o Consórcio Caminhos da Celulose. O grupo será responsável pela administração de 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais do leste de Mato Grosso do Sul.
Para o governador de MS, Eduardo Riedel (PP), a expectativa é que a licitação da malha oeste possa, enfim, sair do papel.
“De Três Lagoas, Campo Grande, Corumbá, e saindo de Campo Grande até Ponta Porã. Nós vamos esperar com bastante ansiedade este leilão. Construímos dois anos e isso com o Ministério dos transportes, e agora em novembro, o governo federal com esse investimento, essa concessão”.
Estrutura
A construção de grande porte contará com uma caldeira e chaminé de 160 metros de altura, correspondente a um prédio de 45 andares. O tratamento de esgoto é o mesmo para uma cidade de 3 milhões de habitantes.
Além disso, a fábrica vai gerar uma energia suficiente para abastecer uma cidade de 800 mil habitantes. Já a ferrovia contará com 26 locomotivas e 721 vagões. Toda a produção anual de 3,5 milhões de toneladas será transportada pela empresa. Diariamente, serão 11 mil toneladas, que se fossem levadas por caminhões, representaria cerca de 190 veículos nas rodovias.
Vídeo: Caio Tumelero
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