Hidrovia do Rio Paraguai divide opiniões entre setor produtivo e ambientalistas

Proposta do Governo Federal prevê triplicar movimentação de cargas, mas intervenções no leito do rio preocupam especialistas ambientais

O edital de concessão da hidrovia do Rio Paraguai deve ser lançado pelo Governo Federal entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, com investimentos para ampliar a capacidade de transporte, que pode triplicar a movimentação de cargas nos próximos anos.

Embarcação navegando na Hidrovia do Rio Paraguai (Foto: Ministério dos Portos e Aeroportos)
Embarcação navegando na Hidrovia do Rio Paraguai (Foto: Ministério dos Portos e Aeroportos)

Mesmo com os benefícios econômicos, as intervenções necessárias no leito do rio ainda dividem opiniões entre o setor produtivo e especialistas ambientais. Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a via navegável transportou cerca de R$ 8,5 milhões de toneladas em 2025.

Entre os produtos transportados estão o minério de ferro, soja, e outros produtos que seguem pelas águas do rio em direção aos mercados internacionais.

“O modal hidroviário, ele é aquele mais eficiente, mais barato e também do ponto de vista de impacto das emissões de gás de efeito estufa, aquele que tem menos emissões. Então, ele é uma ferramenta fundamental, hoje subutilizada no nosso estado, justamente por alguma dificuldade de navegabilidade que existe em diferentes pontos, mas que tem um impacto muito importante para o minério de ferro e para toda a produção agrícola do nosso estado”.

Artur Falcette, secretário da Semadesc

Cortando boa parte da América do Sul, a hidrovia cria um corredor logístico que une Cáceres, em Mato Grosso, a Nova Palmira, no Uruguai, passando pelo território brasileiro, paraguaio, boliviano e argentino.

É exatamente esse trecho que o Governo Federal pretende conceder à iniciativa privada, e segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antag), o projeto abrange 600 quilômetros entre Corumbá e a Foz do Rio Apa, em Porto Murtinho, além do Canal do Tamengo, com investimento inicial estimado em R$ 63,8 milhões.

No entanto, já que o Rio Paraguai atravessa fronteiras e envolve outros países, este é um ponto de atenção que pode atrasar a concessão da hidrovia, dependendo de análises e acordos internacionais.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a expectativa é que o edital para convocar as empresas interessadas seja publicado entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027.

É previsto que a futura concessionária fique responsável por serviços como dragagem, derrocagem, sinalização e manutenção da navegabilidade. Segundo a Antaq, a expectativa é que a hidrovia passe dos atuais 8,5 de toneladas para algo entre 25 e 30 milhões de toneladas anualmente até 2030.

Desafios da Hidrovia do Rio Paraguai

O aumento pode mais do que triplicar a movimentação de cargas no corredor logístico, sendo justamente neste ponto que começam as divergências. Entidades ambientais questionam os impactos das intervenções previstas no leito do rio e cobram mais transparência sobre os estudos técnicos que embasam o projeto.

“Ainda não está claro quais são os impactos, né? Quais serão os impactos? Tem os estudos, mas eles não estão disponíveis. A gente tem acesso teve acessos aos contratos, aos projetos, mas pensando no lado de evidência científica, ainda falta transparência nesses dados para que a gente possa avaliar”.

Stefania Oliveira, coord. técnico SOS Pantanal

Por outro lado, representantes do setor veem a concessão como uma oportunidade para a geração de empregos.

“Isso vai aquecer o nosso mercado. E a hidrovia hoje é um dos meios mais seguros, ou seja, índice zero de acidente, né? Índice zero de acidente, poluição zero. Ou seja, é uma quantidade que possa levar em maior quantidade, mais barato e mais segura e gera emprego”.

Roberto Souza Crisóstomo, pres. sind. aquaviários de Corumbá/Ladário

No meio do embate, o Rio Paraguai está atualmente com 2 metros e 39 centímetros na régua da Marinha, em Ladário. O nível garante a passagem de comboios e barcaças, mas a chegada do período de estiagem deve reduzir a profundidade do rio e limitar a navegação em determinados trechos.

Com isso, parte da produção precisa ser transferida para as rodovias, aumentando a pressão sobre a BR-262, principal ligação terrestre da região.

“A gente tende a toda a produção dessa região que hoje é escoada pela rodovia, que isso migre para a hidrovia a partir do momento que ela tenha condições de navegação e tem ali um projeto profissional de exploração dela.
O Ibama segue cuidando desse licenciamento ambiental e o Estado aqui tentando defender junto ao governo federal a importância estratégica que esse projeto tem”.

Artur Falcette, secretário da Semadesc

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso do Sul, mande uma mensagem pelo WhatsApp. Curta o nosso Facebook e nos siga no Instagram.

Leia também em Transportes!

  1. Design sem nome 24 2

    Estudantes terão ônibus gratuito durante as férias escolares em Cuiabá

    Estudantes de Cuiabá vão ter passe livre durante o recesso escolar da...

  2. pessoas sentadas em avião

    Crianças e adolescentes não poderão ser separados da família em voos

    Nova regra da Anac garante que menores de 16 anos viajem ao...

  3. 400 patinetes foram disponibilizados para fase de testes na cidade | (divulgação)

    Vai usar um patinete elétrico? Veja o passo a passo e as regras para alugar

    Campo Grande passa a contar com patinetes elétricos compartilhados. Saiba quanto custa,...

  4. 400 patinetes foram disponibilizados para fase de testes na cidade | (divulgação)

    R$ 0,39 a viagem: cidade coloca 400 patinetes compartilhados nas ruas

    Município deu início à fase experimental do sistema de patinetes elétricos compartilhados....

  5. selo de conformidade em capacete de motocicleta

    Seu capacete ainda vale? Nova regra começou a valer e muda a venda do equipamento

    Mudança traz selo digital com QR Code em capacete para facilitar a...

  6. Rodoviária de Cuiabá - Foto: Assessoria

    Tarifa de embarque na rodoviária de Cuiabá fica mais cara nesta sexta-feira

    Tarifas de embarque e uso de plataforma da rodoviária de Cuiabá serão...