Justiça suspende CPI do Transporte em Várzea Grande após 17 dos 23 vereadores serem indicados como testemunhas
Decisão suspendeu instalação da CPI após maioria dos indicados para testemunhas serem vereadores, deixando apenas seis aptos ao sorteio das cinco vagas.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) suspendeu a instalação imediata da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar possíveis irregularidades no transporte coletivo de Várzea Grande. A decisão foi tomada após 17 dos 23 vereadores da Câmara Municipal serem indicados como testemunhas, o que os impediria de participar do sorteio para compor a comissão.
A decisão é do desembargador Wesley Sanchez Lacerda, da Segunda Câmara de Direito Público e Coletivo, e foi assinada nesta sexta-feira (7). O magistrado suspendeu um recurso apresentado pela Câmara Municipal de Várzea Grande.
Com isso, fica suspensa a decisão de primeira instância que havia determinado ao presidente da Câmara a leitura do requerimento de criação da CPI, o sorteio público dos cinco integrantes e a nomeação dos membros.

A determinação anterior também impedia que o vereador Caio Cezar Cordeiro de Almeida fosse excluído previamente do grupo de parlamentares aptos a participar do sorteio.
17 vereadores foram indicados como testemunhas
A CPI foi requerida para investigar possíveis irregularidades na concessão, fiscalização, operação e execução do transporte coletivo municipal prestado pela União Transporte e Turismo entre 2016 e 2026.
O requerimento prevê uma comissão formada por cinco vereadores e prazo de funcionamento de 120 dias. O documento recebeu nove assinaturas, uma a mais que o mínimo de oito exigido para a instalação da CPI, já que a Câmara é formada por 23 parlamentares.
O ponto que chamou a atenção do desembargador, porém, foi a indicação de 17 dos 23 vereadores como testemunhas.

Pelo Regimento Interno da Câmara, vereadores indicados para servir como testemunhas ficam impedidos de integrar a CPI. Também são considerados impedidos aqueles envolvidos nos fatos investigados ou que tenham interesse pessoal na apuração.
Com os 17 parlamentares fora do sorteio, restariam apenas seis vereadores aptos a disputar as cinco vagas da comissão.
Cinco dos seis restantes assinaram pedido da CPI
A decisão aponta ainda outra particularidade. Dos nove vereadores que assinaram o requerimento de criação da CPI, quatro também foram incluídos na relação de testemunhas. Assim, cinco ficaram fora da lista de testemunhas.
Na prática, dos seis vereadores que permaneceriam disponíveis para o sorteio, cinco haviam assinado o próprio requerimento para instalação da CPI.
Segundo o desembargador, qualquer sorteio realizado nesse universo faria com que pelo menos quatro das cinco vagas fossem ocupadas por signatários do pedido de criação da comissão. Havia ainda a possibilidade de todas as vagas ficarem com parlamentares que apoiaram formalmente a iniciativa.
Desembargador vê possível restrição estratégica
Na decisão, Wesley Sanchez Lacerda ressaltou que não é possível afirmar, neste momento do processo, que houve “manobra”, fraude ou desvio de finalidade.
O magistrado considerou, no entanto, que a situação dá plausibilidade ao argumento apresentado pela Câmara de que a indicação das testemunhas pode ter sido utilizada para restringir estrategicamente o grupo de vereadores que participaria do sorteio.
A decisão também destaca que a justificativa para incluir os 17 vereadores como testemunhas foi a mesma para todos: eles teriam conhecimento sobre a prestação do transporte coletivo, fiscalização do contrato, reclamações de usuários, tratativas institucionais e acompanhamento parlamentar do assunto.
Para o relator, nesta fase do processo não é possível identificar qual seria o conhecimento específico de cada um dos 17 parlamentares ou quais fatos justificariam individualmente a inclusão deles como testemunhas.
O desembargador também ponderou que a própria CPI, depois de instalada, teria poderes para convocar autoridades e outras pessoas, requisitar documentos, realizar vistorias e colher depoimentos, sem depender exclusivamente da lista de testemunhas apresentada no requerimento.
Segundo a decisão, a combinação de fatores, 17 dos 23 vereadores como testemunhas, justificativa igual para todos e apenas seis nomes disponíveis para cinco vagas, reforça a necessidade de analisar se a indicação interferiu de forma indevida na composição da comissão.
Participação de vereador também será analisada
Outro ponto considerado pelo desembargador envolve o vereador Caio Cordeiro. A Câmara alegou no recurso que Caio participou da Mesa Técnica nº 05/2025 do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), relacionada ao transporte coletivo, como representante do Município de Várzea Grande.
Segundo a Câmara, essa participação poderia caracterizar envolvimento nos fatos que seriam investigados e, consequentemente, impedir o parlamentar de integrar a CPI.
O relator afirmou que ainda existem dúvidas sobre a natureza e a extensão dessa participação e que a questão deverá ser analisada de forma mais aprofundada durante o julgamento do recurso.
Suspensão é temporária
Ao justificar a suspensão, o desembargador considerou que a instalação imediata da CPI poderia gerar consequências de difícil reversão caso posteriormente fossem constatados problemas na composição da comissão.
Uma vez instalada, a CPI poderia fazer vistorias, requisitar documentos, realizar diligências, ouvir autoridades e testemunhas e produzir um relatório final.
Por isso, o magistrado decidiu preservar a situação atual enquanto o recurso é analisado.
A decisão ressalta que a medida não significa o encerramento ou a rejeição definitiva da CPI. Segundo o relator, a suspensão é temporária e busca garantir a regularidade da formação da comissão enquanto são analisadas as indicações das testemunhas e quais vereadores efetivamente podem participar do sorteio.
O vereador Caio Cezar deverá ser intimado para apresentar resposta ao recurso. Depois, o processo será encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça para manifestação.
Leia mais
Mais lidas - 1 VÍDEO: sob forte comoção, pai e filhas mortos em acidente na BR-163 são sepultados
- 2 Tempestade e possibilidade de queda de granizo estão previstos para MT nesta quinta; veja lista de municípios
- 3 Jato de luxo ligado a escândalo do INSS vai a leilão com Land Rover e carros a partir de R$ 2 mil
- 4 Sem prova ou taxa: prefeitura abre seletivo para 41 funções e salários de até R$ 17 mil
- 5 Empresa é contratada para demolir imóveis que restaram na Ilha da Banana em Cuiabá
- 1 VÍDEO: sob forte comoção, pai e filhas mortos em acidente na BR-163 são sepultados
- 2 Tempestade e possibilidade de queda de granizo estão previstos para MT nesta quinta; veja lista de municípios
- 3 Jato de luxo ligado a escândalo do INSS vai a leilão com Land Rover e carros a partir de R$ 2 mil
- 4 Sem prova ou taxa: prefeitura abre seletivo para 41 funções e salários de até R$ 17 mil
- 5 Empresa é contratada para demolir imóveis que restaram na Ilha da Banana em Cuiabá