Um misto de desespero, revolta e incerteza, marcaram a primeira viagem de trem da autônoma Tainara Cardozo, de 28 anos, nesta quinta-feira (13). A moradora de Campo Grande estava entre os 943 passageiros do trem que ficou parada por quase 10h em região de Mata Atlântica de Morretes, no litoral do Paraná. A região foi atingida por um ciclone que derrubou árvores no trilho por onde o trem passaria. Confira relato de Tainara, sobre os momentos de tensão vividos durante a viagem.
Tainara conta que o trem saiu de Curitiba, por volta das 8h30 com previsão de chegada em Morretes, até no máximo 14h. No meio do trajeto, entretanto, o trem parou e a falta de informações sobre o que estava acontecendo, deixou todos os passageiros desesperados.
“Ninguém sabia de nada. Em nenhum momento o maquinista ou a empresa deu alguma satisfação para a gente. Estávamos perdidos”, lembra Tainara.
Conforme Tainara, foi um passageiro quem teve de seguir a pé pelos trilhos em busca de mais informações.
“Algum tempo depois ele retornou e nos informou que haviam caído árvores nos trilhos, e por conta disso não teria previsão de quando íamos poder seguir viagem. Ligamos para a polícia e os bombeiros, mas eles falaram que não tinham como fazer o resgate, pois a responsabilidade era da empresa”, explica.
De acordo com a autônoma, conforme o tempo passava aumentava o desespero dos turistas. A baixa temperatura na região também era um agravante, conta Tainara.
“Muitas pessoas se desesperaram por não saber o que estava acontecendo. Quanto mais escurecia, mais parecia que íamos dormir no local”, diz.
Trecho do trajeto percorrido pelo trem em que estava a moradora de Campo Grande. (Foto: Serra Verde Express)
O pesadelo só acabou durante a noite. Os passageiro conseguiram chegar no destino da viagem, por volta das 21h de quinta-feira (13). Em Morretes, a empresa Serra Verde Express, responsável pelo trem, forneceu alimentação aos passageiros e também disponibilizou um ônibus para levá-los até Curitiba.
Passado o susto e a revolta, resta o sentimento de frustração, desabafa Tainara.
“Comprei a passagem com 1 semana de antecedência de tão lotado que é o passeio, já nem dormia de ansiedade. Era a minha viagem dos sonhos, mas virou um desastre”, lamenta.
Transtorno
Em nota ao portal G1 do Paraná, a Serra Verde Express, empresa que opera as viagens, confirmou que o trem precisou parar a viagem por conta de galhos que ficaram nos trilhos.
Ainda segundo a empresa, essa foi a primeira vez, em 26 anos de operação, que um incidente meteorológico causou uma paralisação tão longa no percurso turístico.
O passeio
A rota do passeio entre Curitiba e Morretes, passa por belíssimas paisagens naturais, túneis e prédios históricos do Paraná. A empresa tem diversos pacotes de viagens, disponíveis em vagões econômicos e de luxo.
Em algumas ocasiões, realiza viagens temáticas. A viagem tradicional, por exemplo, só tem a ida, mas outros pacotes tem almoço e city tour. Nas viagens premium, turistas são levados para passear por Morretes, onde podem conhecer pontos turísticos e saborear pratos típicos, como o barreado.
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