O táxi morreu? Por que muitos passageiros estão voltando ao serviço
Segurança, tarifa previsível e atendimento personalizado explicam por que o táxi continua relevante na mobilidade de Cuiabá.
O avanço dos aplicativos de transporte mudou a rotina de mobilidade em Cuiabá, mas não tirou espaço do táxi. Mesmo após a popularização das plataformas de transporte, o serviço tradicional segue ativo, competitivo e retomando passageiros que haviam migrado para os apps.
Entre segurança, previsibilidade de tarifas e atendimento personalizado, o setor tenta se reinventar enquanto divide espaço com os motoristas por aplicativo.

O taxista cuiabano Michael Souza, que está há 20 anos na profissão, garante que o serviço segue firme. “O táxi não morreu. Estamos trabalhando normalmente”, afirmou.
Michael chegou a atuar como motorista por aplicativo, mas não se adaptou e retornou ao táxi. “Trabalhei 30 dias na Uber, não gostei e voltei. Sou taxista desde 2004 e estou feliz no táxi”, disse.
Ele afirma que muitas reclamações de passageiros sobre os aplicativos estão ligadas ao atendimento e aos cancelamentos. Para Michael, o diferencial do táxi continua sendo a forma de receber o cliente. “Ofereço ao passageiro o que eu gostaria de receber. Esse cuidado faz muita gente voltar”.
Segundo ele, boa parte dos usuários que migraram para os aplicativos acabou retornando ao táxi em Cuiabá. “Teve muita promessa de corrida barata e rapidez. Na práticahttps://campoverde.mt.gov.br/, muita gente se frustrou. No táxi, o passageiro encontra segurança, confiabilidade e profissionalismo”, pontuou.
Ele destaca que os táxis da capital passam por fiscalização municipal, contam com identificação clara e seguem padrões rígidos. “O passageiro sabe quem está dirigindo, sabe que o carro é vistoriado. Isso transmite segurança.”
Mercado muda, mas coexistência se consolida
Para o presidente da Associação Mato-grossense de Motoristas por Aplicativo (AMA-MT), Cleber Cardoso Silva (que também é motorista por aplicativo), a percepção de que o táxi teria “ficado para trás” não condiz com o cenário atual em Cuiabá. “O táxi não morreu. O mercado apenas se reorganizou. Táxis e aplicativos atendem perfis diferentes, em situações diferentes”, afirma.
Cleber avalia que a coexistência se tornou natural, desde que cada modalidade cumpra suas próprias regras. “Quando há respeito e parâmetros de qualidade, quem ganha é o cidadão”, disse.
Ele reconhece que parte dos passageiros cuiabanos mantém preferência pelo táxi, especialmente pela previsibilidade das tarifas e pela facilidade de encontrar um carro nos pontos tradicionais da cidade. “O usuário busca conveniência. Quanto mais opções, melhor”, afirmou.
Michael também cita o preço como fator decisivo. “Vejo motoristas de app cobrando R$ 80 ou R$ 100 para o aeroporto. No táxi, a mesma corrida custa de R$ 28 a R$ 35.”
Segurança em números
Registros da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso mostram que, entre 2023 e novembro de 2025, ocorreram casos envolvendo táxis e veículos de aplicativo no estado, principalmente furtos, estelionatos, ameaças e roubos.
Os furtos lideram as ocorrências: foram 70 registros em 2023, 79 em 2024 e 14 em 2025 até novembro. Já os casos de ameaça e roubo apresentaram queda contínua no período, chegando a apenas um registro em 2025.
Principais Ocorrências Registradas
Tipo Local: Veículo de Aplicativo e Táxi em Mato Grosso (2023-2025)
| NATUREZA | 2023 (JAN-DEZ) | 2024 (JAN-DEZ) | 2025 (JAN-NOV) |
|---|---|---|---|
| FURTO | 70 | 79 | 14 |
| ESTELIONATO | 12 | 17 | 4 |
| AMEAÇA | 21 | 9 | 1 |
| ROUBO | 11 | 8 | 1 |
| CALÚNIA | 5 | 7 | 2 |
| INJÚRIA | 9 | 7 | 3 |
| DANO | 5 | 4 | 1 |
| DIFAMAÇÃO | 4 | 3 | 4 |
| INJÚRIA REAL | 1 | 2 | 0 |
| LESÃO CORPORAL | 4 | 2 | 2 |
Outras ocorrências, como injúria, calúnia, difamação e dano, aparecem em volumes menores. Os dados ajudam a contextualizar o debate sobre segurança, um dos fatores que pesam na escolha dos passageiros entre táxi e aplicativos, e reforçam a importância da fiscalização e da identificação dos motoristas.
O contraponto dos apps: tarifa dinâmica e instabilidade
A AMA-MT admite que a tarifa dinâmica (comum nos horários de pico em Cuiabá) pode gerar insatisfação quando não é bem explicada. “É um mecanismo de mercado, mas precisa ser transparente. Se o passageiro não entende, ele procura alternativas”, explica Cleber.
Michael reforça esse movimento, relatando casos de passageiros prejudicados por cancelamentos. “Tem gente perdendo consulta, perdendo voo por causa de cancelamento atrás de cancelamento. Isso faz as pessoas voltarem para o táxi.”
Regulação e desigualdade na disputa
Cleber avalia que a competição não é totalmente justa. “O táxi é muito regulamentado. Já o motorista de aplicativo arca com custos pesados sem segurança jurídica ou previsibilidade de renda. Falta equilíbrio.”
Para ele, o Brasil, e Mato Grosso, ainda precisam avançar numa regulamentação moderna que contemple o modelo dos aplicativos. “É preciso preservar a autonomia, mas garantir padrões mínimos de segurança.”
Michael concorda que a mobilidade mudou, mas afirma que o rigor no táxi ajuda a manter a confiabilidade. “Somos profissionais qualificados. Segurança, cordialidade e pontualidade fazem diferença.”
Por que o táxi continua forte em Cuiabá
Os dois lados reconhecem fatores que explicam a permanência do táxi no cotidiano cuiabano:
- Segurança e fiscalização municipal
- Previsibilidade das tarifas
- Atendimento personalizado
- Tradição e confiança construída ao longo de décadas
- Menos cancelamentos e maior pontualidade
Michael destaca ainda a infraestrutura da cidade: “Cuiabá tem a Rádio Táxi Bandeirantes há mais de 40 anos. Agora está sendo desenvolvido um aplicativo local para facilitar o chamado pelo celular. Hoje, o passageiro pode acionar a Central e já recebe as informações do motorista que irá atendê-lo”.
A central recebe as solicitações de corrida, identifica o taxista mais próximo e repassa, via rádio, as informações do passageiro, do endereço e do carro que fará o atendimento. É um sistema antigo, mas ainda muito eficiente para quem prefere ligar diretamente e garantir rapidez, previsibilidade e um contato humano imediato.
O modelo segue forte na capital e mostra como o setor se adaptou sem perder suas raízes. Para muitos passageiros, especialmente em horários de pico ou em regiões com conexão instável, o rádio continua sendo a forma mais prática de chamar um táxi.
Abaixo, você poderá poderá ouvir um trecho exclusivo da central em operação, mostrando em tempo real como funciona a comunicação entre os atendentes e os motoristas:
Rádio Táxi Bandeirantes
Cuiabá – MT | Trecho de Áudio
Futuro: não é “um ou outro”, é “os dois”
Para a AMA-MT, o futuro do transporte em Cuiabá passa pela convivência entre as duas modalidades. A associação defende capacitação, regras mais claras e mais segurança jurídica para o setor. Do lado dos taxistas, a aposta é na renovação da frota e no fortalecimento dos serviços digitais e tradicionais.
Enquanto isso, os passageiros seguem comparando preço, segurança e qualidade e muitos continuam encontrando no táxi aquilo que buscam no dia a dia da capital mato-grossense.
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Comentários (1)
O futuro é que os app serão de carros sem motoristas e os táxi ainda estarão lá #vidalongaaotaxi