Vagões do VLT de Cuiabá ganham nova cara para serem usados em Salvador

Após mais de 10 anos parados em Mato Grosso, vagões do VLT foram reformados e agora contam com espaço para marisqueiras e pescadores

Os trens que ficaram mais de uma década parados em Mato Grosso agora têm destino certo e visual renovado. As composições do VLT, vendidas ao Governo da Bahia em 2024, serão usados em Salvador após passarem por reforma na fábrica da CAF Brasil, em Hortolândia (SP).

Os vagões receberam pintura e plotagem novas, além de ajustes técnicos e operacionais, e foram apresentados ao governador Jerônimo Rodrigues e a líderes comunitários da capital baiana. Segundo o governo, o material rodante será utilizado no futuro VLT que vai ligar o Subúrbio Ferroviário à orla de Piatã.

Ao todo são 40 composições, cada uma formada por sete vagões e duas cabines de comando, com 45 metros de comprimento. A capacidade total é de cerca de 16 mil passageiros por viagem, com velocidade de até 70 km/h. Alguns trens foram adaptados para atender marisqueiras e pescadores, garantindo o transporte seguro de materiais de trabalho.

O sistema terá 40 quilômetros de extensão, com 42 paradas ao longo do trajeto, integrando a mobilidade urbana da capital e da região metropolitana.

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Vagões parados em Cuiabá foram vendidos para o governo de Salvador

Da frustração em Cuiabá ao novo uso em Salvador

Em Mato Grosso, os vagões ficaram mais de dez anos armazenados em Várzea Grande, após o fracasso do projeto de mobilidade anunciado para a Copa do Mundo de 2014. Ao todo, foram 280 vagões adquiridos, mas nunca utilizados.

Com a opção do governo mato-grossense pelo BRT, os trens foram vendidos ao estado da Bahia por R$ 793,7 milhões, em negociação concluída em 2024 com mediação do Tribunal de Contas da União (TCU).

Agora, com os primeiros trens já em Salvador, o projeto entra em fase de testes. A previsão do governo baiano é que o VLT comece a operar em 2026.

As novas composições do VLT de Salvador também foram adaptadas para atender uma demanda social importante: o transporte de marisqueiras e pescadores. Os vagões contam com espaços destinados ao armazenamento seguro de baldes, caixas e outros materiais usados no trabalho diário, garantindo que a atividade tradicional do Subúrbio Ferroviário seja incorporada à rotina do sistema. A medida busca assegurar dignidade e mobilidade a quem depende da pesca e da mariscagem para sustentar a família, evitando riscos e ampliando o acesso aos mercados consumidores da capital.

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