RMC 60 anos: na telinha há mais de uma década, jornalistas relembram trajetória
TV Morena se tornou referência em jornalismo no Mato Grosso do Sul, marcando gerações de telespectadores
Em 2025, a TV Morena celebra seis décadas no ar. Para celebrar essa data histórica, jornalistas com mais de uma década de casa, muitos com 20, 30 anos de trajetória, revisitam suas memórias, mudanças e momentos mais marcantes.

Ao longo de 60 anos, a emissora se tornou referência em jornalismo, em Mato Grosso do Sul, marcando gerações de telespectadores com histórias, coberturas especiais e o trabalho de profissionais que ajudaram a moldar a comunicação no estado.
Osvaldo Nóbrega

Nóbrega entrou na TV Morena em 2002, como repórter. Hoje, são 23 anos na emissora , parte essencial dos seus 27 anos de carreira.
“Aprendi muito, foi aí que eu aprendi a fazer televisão mesmo, fazer reportagens produzidas, descobrir novas técnicas de jornalismo. Então, foi uma escola pra mim, eu fui me aperfeiçoando com o tempo, com os anos, e estou aprendendo até hoje”, resume.
As transformações tecnológicas marcaram seu percurso. Do tempo das páginas amarelas ao GPS, do texto no papel ao WhatsApp, do link com parabólica ao celular.
“Antigamente, uma equipe de engenharia ia um dia antes ver se a parabólica enxergava a torre. Hoje é tudo pela internet”.
Ele lembra que escrevia texto à mão dentro do carro para ganhar tempo. “Hoje é tudo no bloco de notas do celular. Muito mais fácil”.
Entre as histórias memoráveis, poucas são tão lembradas quanto o touro solto na Gury Marques, caso que repercutiu nacionalmente e o levou ao programa Encontro, com Fátima Bernardes.
Outro episódio inusitado foi o velório errado. “Havia dois velórios na mesma quadra. Chegamos no errado, a família achou que era brincadeira”.
As situações inesperadas, diz Osvaldo, fazem parte da rotina e constroem a história de quem vive a reportagem diária.
Maureen Mattiello

Maureen começou na emissora em 2008 com um contrato temporário, em meio ao movimento do “Em Rede”, um encontro de profissionais do Jornalismo para troca de experiências e ideias que inspiravam novos projetos. Recém-formada, passou 15 dias na produção até ser contratada para trabalhar em Corumbá.
“O interior é riquíssimo de notícias e de temas, Pantanal, fronteira… Então, foi maravilhoso ter ido para lá. No interior, principalmente naquela época, a gente tinha um trabalho de você fazer todas as partes, todos os processos da reportagem”, define.
Na época, o(a) repórter fazia tudo: produzia, apurava, apresentava jornal local. Foi ali que ela viveu suas primeiras grandes coberturas, como a greve na Bolívia, sua estreia no Jornal da Globo, e um incêndio na Serra do Amolar, quando as entradas ao vivo eram feitas por telefone.
De volta a Campo Grande, em 2009, ainda no início, viveu um dos trabalhos que considera mais importantes: a série de trânsito, ao lado de Jaqueline Bortolotto e João Carlos Corrêa, que rendeu prêmio.
“Então aprendi demais naquela série, a gente ganhou um prêmio. Foi um momento especial”, relata.
A partir dali vieram outras fases, apresentação do MS1, um período curto no MS2, reportagens para o Globo Rural, séries especiais e, mais tarde, a volta à reportagem, que diz ser sua essência.
Maureen também acompanhou de perto as mudanças da TV. Para ela, redes sociais e tecnologia transformaram o jornalismo.
“Nos últimos cinco anos mudou mais do que nos primeiros dez. Hojeé possível entrar ao vivo do meio do Pantanal com o celular. Antes era preciso mandar uma fita com a gravação por alguém que voltava de ônibus para Campo Grande”.
Entre as escolhas da vida e da carreira, ela conta que já pensou em trabalhar fora do estado, mas ficou: “Quis estar aqui, na minha cidade, no meu estado. Com filhos, essa vontade passou”.
Alyson Maruyama

Maruyama chegou à TV Morena em setembro de 2008, ainda como estagiário, quando faltavam quatro meses para se formar. Ele lembra da redação como um lugar completamente diferente dos tempos atuais.
“A TV ainda era com tijolinho à vista, era o prédio antigo, a redação era com TV de tubo. A gente usava fita ainda, era beta, foi a última época da beta”.
No início, ficou quatro meses na produção. Assim que se formou, substituiu por um mês a apresentadora Camila Dib no Globo Esporte, ao vivo.
Logo depois, veio a primeira experiência na rua e, em seguida, a transferência para Corumbá, onde trabalhou entre 2009 e 2011. No fim de 2011, retornou a Campo Grande para atuar no Bom Dia MS. Chegou a deixar a emissora por um ano, mas voltou em 2013 como repórter de rede. Alyson afirma que a emissora foi sua escola.
“Tudo que eu sei de jornalismo eu aprendi aqui. É um ambiente familiar pra mim”.
Alysson Maruyama
Uma das memórias mais marcantes veio logo no primeiro VT, na Noite da Seresta. A reportagem foi parar no site da TV Morena na época e chegou até os pais dele, que viviam no Japão.
“Meu pai ligou chorando, dizendo que estava orgulhoso. Lembrou quando eu brincava com a escova de cabelo da minha irmã como se fosse repórter”.
A tecnologia transformou o trabalho de Alysson, tanto da facilidade quanto da autonomia. Ele lembra os tempos da UMJ (Unidade Móvel de Jornalismo), quando era preciso subir antena e contar com a engenharia para cada link.
“Hoje, só com a câmera você faz link. Na época a gente achava endereço pela agenda telefônica. Hoje, o jornalista pode participa de todos os processos, da produção à exibição”.
Fabiano Arruda

Fabiano Arruda entrou em fevereiro de 2013, contratado para o jornal online G1, após trabalhar dois anos em outro site de notícias de Campo Grande. Ele conta que nunca havia imaginado trabalhar em TV, mas que a oportunidade abriu caminhos inesperados.
A virada veio com uma cobertura sobre conflitos no campo, em Dourados e Carapó. O material foi usado na TV, e, a partir disso, ele passou a fazer participações no Bom Dia MS. A aprovação levou ao convite para virar repórter de vídeo no ano seguinte.
Entre os momentos mais marcantes, Fabiano cita sua primeira entrada ao vivo na GloboNews, ao noticiar a morte de Manoel de Barros.
Também lembra a sequência de reportagens sobre a precariedade no pronto-socorro da Santa Casa de Campo Grande, que pressionou autoridades e resultou em reforma da área vermelha.
“A Santa Casa teve uma grande reforma no pronto-socorro, na área vermelha, inclusive, e esse tipo de procedimento nunca mais aconteceu. Então, é uma lembrança muito forte que eu tenho de cobertura”, recorda.
Ele cita ainda coberturas de operações importantes, como a Máfia do Câncer e a cassação do prefeito Alcides Bernal, além da estreia no Jornal Nacional, em uma matéria sobre o preço do diesel.
O caminho até dominar o vídeo não foi simples, mas recebeu apoio essencial de profissionais que considera referências.
“Foi difícil virar essa chavinha. Nossos colegas talentosos me ajudaram muito. Até eu começar a olhar e falar: ‘agora eu domino o ao vivo’, levou tempo. Mas foi fruto de persistência”.
Um momento que Fabiano destaca na trajetória é ter apresentado primeiro o jornal da nova redação da TV Morena, reinaugurada em 2025.
“Foi a maior honra que eu recebi na minha carreira, dentro da TV também, então eu não tenho como deixar de colocar esse como momento mais especial”.
Lucimar Lescano

Atual chefe de redação da TV Morena, Lucimar Lescano iniciou sua trajetória na emissora em 1994, aos 23 anos, como repórter. Já trazia experiência em apresentação e reportagem de outras emissoras, mas foi na TV Morena que consolidou sua carreira.
“Comecei como repórter e apresentadora, fui galgando, passando pelo Bom Dia, MS1, MS2… até assumir a chefia de redação”, relembra.
Ela chegou a se afastar por um ano para trabalhar em campanhas eleitorais, mas retornou como apresentadora do programa “Variedade na TV” e nunca mais deixou a emissora.
Lucimar destaca que sempre fez parte de uma geração que acreditava em construir carreira a longo prazo.
“A TV Morena sempre nos deu essa possibilidade. Você pode estar na internet, mas daqui a pouco está lá fora produzindo para televisão. Somos áudio e vídeo, e isso é fantástico”.
Entre as maiores mudanças ao longo dos anos, ela destaca a tecnologia, que transformou processos e acelerou a produção de notícias, mas reforça que um pilar permanece inabalável: a apuração rigorosa.
“Somos ponte entre quem produz a informação e o público. Mesmo com agilidade, é preciso ter cuidado com a apuração. Esse compromisso não muda.”
Ela relata que pertence a uma geração que cresceu acreditando na ideia de permanência, de enraizamento e a televisão se tornou exatamente isso para ela: um espaço de construção contínua.
“Eu sou de uma geração que sempre quis fazer carreira. E o fazer carreira é você mirar num ponto e falar: ‘é aqui que eu vou construir’.”
Ao longo dos anos, Lucimar viu a TV Morena passar por transformações profundas. Do tempo em que tudo era analógico ao momento em que a redação se tornou digital. Para ela, o que mais encanta na televisão é justamente essa multiplicidade de possibilidades.
“A TV Morena sempre nos deu essa possibilidade: você está na internet, mas daqui a pouco está lá fora produzindo algo que vai render para a televisão, porque somos áudio e vídeo. Isso é fantástico. E isso já vem desde lá, de sempre.”
Lucimar também se tornou referência para as gerações que chegaram depois dela. Com a experiência adquirida em quase 30 anos de profissão, passou a orientar os mais novos sobre a amplitude do jornalismo, um universo que, segundo ela, ultrapassa fronteiras e se expande muito além das paredes de uma emissora.
“Eu sempre falo para quem entra agora: não é simplesmente a TV Morena, é todo o universo do jornalismo.”
A paixão pela profissão nunca diminuiu. Lucimar gosta de lembrar que o jornalismo permite um trânsito único entre áreas e saberes, e é isso que a mantém motivada. E essa convivência com diferentes mundos é, para ela, uma das grandes riquezas do trabalho. Em um dia, uma pauta a coloca diante de um professor; no outro, de um médico; no seguinte, talvez de um cientista.
“Nossa profissão nos dá essa possibilidade. Eu adoro dizer que nós somos, talvez, eu me arrisco a dizer, a única profissão que conversa com todas as outras.”
Edevaldo Nascimento

Edevaldo Nascimento iniciou sua trajetória na TV Morena em dezembro de 2005, como estagiário, durante o último ano da faculdade. Ele já carregava desde a infância o sonho de trabalhar na televisão.
“Pedi afastamento do meu concurso público para fazer o estágio no último ano da faculdade. Desde criança sonhava em trabalhar na televisão e era a minha oportunidade.”, lembra.
O início foi intenso, além de dividir o tempo entre faculdade e TV, enfrentava seis ônibus por dia para cumprir sua rotina.
Durante o estágio, fez produção de matérias, apresentou o mapa tempo para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, buscava arquivos, preparava o GC e acompanhava as equipes de reportagem nas ruas.
Em janeiro de 2007, foi efetivado como repórter e enviado para a TV Centro América, em Sinop (MT), onde atuou como produtor, repórter e apresentador dos jornais do almoço e da noite. Foi também nesse período que fez suas primeiras matérias para o Globo Rural nacional, antes de retornar a Campo Grande.
Entre 2008 e 2011, trabalhou como repórter em diversas editorias da TV Morena, do esporte à política, da culinária à moda, chegando até a apresentar o Globo Esporte. Também atuou em plantões de MS1 e MS2.
Mas foi no jornalismo agro que se encontrou. Em 2010, começou a apresentar o antigo MS Rural ao lado de Camila Caires, até assumir o programa sozinho em 2011. Ele conduziu o projeto até 2021, quando o programa foi reformulado e passou a se chamar Mais Agro, com novo formato e linguagem.
Refletindo sobre sua trajetória, Edevaldo destaca os desafios e conquistas.
“Aprendi a cair e a levantar-me várias vezes, é muito bom encontrar a felicidade com a resiliência. Na TV, conquistei vários prêmios de jornalismo com a parceria dos meus colegas. Na Globo fiz reportagens para: Jornal da Globo, Bom dia Brasil, Jornal Hoje, Globo Esporte, Hora 1, Globo Rural, Globo News, Jornal Nacional e até um Globo Repórter Especial 50 anos.”.
Ele também observa as diferenças entre o início e os dias atuais.
“Quando comecei, ainda havia muita resistência com jornalistas novatos, havia muito glamour, fechavam muito a porta e você precisava ser paciente, até porque a disputa por espaço era grande. Hoje, as redações mudaram, há mais tecnologia, mais oportunidades, moçada vibrante com novas propostas, nova visão”.
Entre os momentos mais marcantes de sua carreira, Edevaldo lembra de momentos que mexeram com seu propósito profissional e destaca as primeiras oportunidades.
“O dia em que me mudei para começar a vida de repórter em MT. O primeiro ao vivo no MS2, a primeira matéria no Globo Rural, a primeira matéria no Jornal Nacional, o prêmio de jornalismo que fui receber nos Estados Unidos. Faria tudo de novo”.
A RMC chega aos 60 anos acompanhando o crescimento do Estado, registrando grandes momentos, emocionando famílias e formando profissionais que se tornaram referência.
Lucimar, Alyson, Maureen, Osvaldo, Edevaldo e Fabiano representam essa trajetória com diferentes gerações, vivências distintas, mas um ponto em comum: todos deixaram (e continuam deixando) sua marca na televisão sul-mato-grossense.
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