Césio-137: relembre caso real que inspirou série “Emergência Radioativa”
Acidente em Goiânia marcou a história como o maior desastre radiológico do mundo fora de uma usina nuclear
Em 1987, um acidente em Goiânia marcou a história como o maior desastre radiológico do mundo fora de uma usina nuclear. Quase quatro décadas depois, o episódio envolvendo o Césio-137 volta ao centro das atenções com o lançamento da série “Emergência Radioativa”, da Netflix, nesta quarta-feira (18).

A produção dramatiza os acontecimentos que começaram quando dois homens encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas antigas instalações do Instituto Goiano de Radiologia, entre os dias 10 e 13 de setembro daquele ano.
De acordo com a secretária de saúde de Goiás, ao tentarem desmontar o equipamento, eles tiveram acesso à cápsula que continha material radioativo altamente perigoso.

Na noite do dia 13, parte do equipamento, com cerca de 200 quilos, foi levada em um carrinho de mão até a casa de um dos envolvidos, no Setor Central da capital goiana. Dentro da cápsula havia cloreto de césio, substância de alta solubilidade e intensa radioatividade.
Ao violar o equipamento, os homens liberaram fragmentos do material na forma de um pó azul brilhante, aspecto que chamou a atenção de outras pessoas e contribuiu para a rápida disseminação da contaminação.
Por conter chumbo, material de relativo valor financeiro, a fonte foi vendida para um depósito de ferro-velho, cujo dono a repassou a outros dois depósitos, além de distribuir os fragmentos do material radioativo a parentes e amigos.

Sem saber do risco, o dono do ferro-velho levou a substância com césio-137 para casa e mostrou para familiares, vizinhos e conhecidos, levando partículas para dentro de suas casas.
Os primeiros sintomas, como náuseas, vômitos, tontura e diarreia, começaram a surgir ainda nos dias seguintes, mas foram inicialmente confundidos com intoxicação alimentar. Mesmo com o agravamento dos quadros, o diagnóstico correto demorou a ser feito.
A situação só começou a ser esclarecida quando a esposa de um dono de ferro-velho, desconfiada da relação entre o material e o adoecimento da família, levou a peça até a Vigilância Sanitária. Foi então que se confirmou tratar-se de uma fonte radioativa.

Contaminação e impacto
A exposição ao Césio-137 ocorreu de diversas formas: contato direto com a pele, inalação, ingestão e irradiação externa. Ao todo, 112,8 mil pessoas foram monitoradas pelas autoridades.
Dessas, 249 apresentaram algum nível de contaminação, sendo 129 casos mais graves, que exigiram acompanhamento médico contínuo. Parte dos pacientes precisou de internação, e 20 foram encaminhados ao Hospital Geral de Goiânia.

Entre os casos mais críticos, 14 pacientes foram transferidos para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro.
Quatro pessoas morreram em decorrência das complicações da exposição à radiação, principalmente por infecções generalizadas e hemorragias.
Outras vítimas desenvolveram a Síndrome Aguda da Radiação e lesões graves na pele, conhecidas como radiodermites.
Ao todo, sete focos principais de contaminação foram identificados em Goiânia, exigindo uma operação de emergência que incluiu isolamento de áreas, descontaminação e acompanhamento de longo prazo das vítimas.

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